Polícia Federal, Gaeco e Cade iniciam devassa nas sedes de empresas do cartel dos cegonheiros

Em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público de São Paulo, e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Polícia Federal desencadeou nesta quinta-feira (17) a Operação Pacto. É o início da devassa no chamado cartel dos cegonheiros, uma organização criminosa que atua em todo o país, causando prejuízos superior a R$ 2 bilhões por ano ao consumidor e impedindo o ingresso de novos agentes no mercado.

Foram realizadas, com autorização judicial, buscas e apreensões em transportadoras dos grupos Tegma e Sada, em Santo André, São Bernardo do Campo e Betim (MG). Policiais federais também estiveram em Serra (ES), onde funciona a sede do Sindicato dos Cegonheiros daquele estado, e na sede da Autoport*, localizada no município de Simões Lopes (BA). Às 10h30min, a PF concedeu entrevista coletiva na Superintendência de São Paulo.

O cartel dos cegonheiros é velho conhecido da Polícia Federal, do Cade e do Gaeco. Este é responsável por uma ação penal contra dez executivos de transportadoras de veículos, em tramitação desde 2013, ainda não sentenciada. Os réus são acusados de formação de cartel e de quadrilha.

A partir de novas investigações, também com a participação do Gaeco, o combate à associação criminosa ganhou força com a instauração, em 2016 no Cade, de Inquérito Administrativo para apurar a prática de infrações contra a ordem econômica. Um “acordo de leniência” firmado com a autoridade antitruste e mantido ainda sob sigilo deu novo impulso às investigações.

Segundo as autoridades responsáveis pelas investigações, pelo menos quatro grandes empresas e um sindicato de cegonheiros (do Espírito Santo), por meio de acordo, mantêm até hoje o mercado fechado, impedindo o ingresso de novos transportadores, transformando montadoras e concessionárias de veículos em reféns, segundo a PF.

Na coletiva, os delegados afirmaram:

“Até o momento não há comprovação de conivência de montadoras, importadoras ou concessionárias no esquema.”

Fretes do cartel são majorados em 30% e 40%
Segundo cálculo dos investigadores, que estão debruçados há um ano no trabalho, por conta do ajuste entre as empresas, o valor do frete é superfaturado entre 30% e 40%. Até pouco tempo atrás, o Ministério Público Federal trabalhava com um percentual de 25% do valor do ágio. Nesse percentual, o prejuízo causado em desfavor dos consumidores estava estimado em cerca de R$ 1,8 bilhão por ano. Com os novos dados, esse mesmo prejuízo, fruto do superfaturamento do cartel dos cegonheiros, por conta da ausência de concorrência, passa dos R$ 2,5 bilhões ao ano.

*Correção: A Autoport não foi alvo dos mandados de buscas e apreensões autorizados pela Justiça de São Paulo. A informação correta é que a Operação Pacto apreendeu documentos na sede uma transportadora no município de Simões Filho (BA). A Autoport tem sede em Vitória (ES). Confira aqui a errata.

Na foto de abertura, da direita para esquerda:
Cintia Marangoni, promotora de Justiça de SP
Rodrigo Sanfurgo, delegado de Policia Federal
Marcelo Ivo de Carvalho, diretor Regional Contra o Crime Organizado da PF/SP
Alberto Ferreira Neto, delegado de Policia Federal
Rubem Accioly Pires, Cade

Crédito da foto: Comunicação Social/Polícia Federal