Gaeco de São Bernardo do Campo investiga cartel dos cegonheiros há pelo menos dez anos

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo (SP) investiga a organização criminosa alvo da Operação Pacto há pelo menos dez anos. Ao todo, segundo Cintia Marangoni, promotora de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo, são três focos de investigação do Gaeco contra a associação criminosa que controla o transporte de veículos novos:

“Tem um processo criminal em andamento. Temos outra investigação e agora essa terceira frente que foi incrementada pelo material absolutamente relevante e trazido pelo Cade.”

O processo penal refere-se à ação encaminhada à Justiça em 2012. Ao todo, o Gaeco denunciou 12 integrantes do cartel dos cegonheiros por abuso de poder econômico, dominação de mercado, eliminação total ou parcial de concorrência, fixação artificial de preços, formação de cartel e associação criminosa. O processo de 66 volumes e 14 mil páginas está concluso para o juízo da 5ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo proferir sentença.

A nova frente aberta pela Operação Pacto confirma a importância do trabalho realizado pelo Gaeco, afirmou Cintia:

“Isso trouxe a certeza de que esse cartel continua completamente atuante até os dias de hoje.”

Na coletiva concedida na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, a promotora também ressaltou o compromisso do MP contra a ação dos cartéis:

“O Ministério Público sempre busca parcerias com outros órgãos de segurança pública, principalmente a Polícia Federal e o Cade, para combater o crime organizado, principalmente os cartéis.”

E acrescentou:

“Os cartéis prejudicam a concorrência como também o consumidor final, já que o valor do frete influencia diretamente o preço dos veículos.”

A terceira frente dos procuradores do Ministério Público do Estado de São Paulo pode estar associada à denúncia protocolada no início de 2018, acusando o presidente da Volkswagen do Brasil de associar-se ao cartel que denunciou em juízo, durante a greve de patrões deflagrada em dezembro do ano anterior. No movimento que paralisou a montadora, cegonheiros-empresários filiados ao Sinaceg e associados às quatro transportadoras ligadas aos grupos Sada e Tegma impediram a VW de contratar novos transportadores, posicionando-se contra a livre concorrência. A Volks ajuizou ação contra os manifestantes e, menos de 24 horas depois de conseguir liminar que garantiu o livre acesso á fábrica, anunciou acordo com os denunciados.