Em 18 meses, cartel dos cegonheiros fatura R$ 1,3 bilhão com apenas duas montadoras

Em 18 meses, a falta de livre concorrência no transporte de veículos novos rendeu ao cartel dos cegonheiros mais de R$ 1,3 bilhão em fretes contratados por apenas duas montadoras. No período que vai de janeiro de 2018 a junho de 2019, os consumidores das marcas Nissan e Renault pagaram em ágio mais de meio bilhão de reais às empresas associadas à organização criminosa que controla o setor. Os crimes praticados pelo cartel contra a economia popular estão sendo investigados pela Polícia Federal, Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco – órgão do Ministério Público de São Paulo), Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e mais recentemente pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPJR).

Os valores baseiam-se em equação montada pelo Ministério Público Federal (MPF) para estimar o prejuízo causado ao consumidor. O sobrepreço decorre da ausência de competição no segmento. O cartel, segundo inquéritos da Polícia Federal, impede o ingresso de novos transportadores, transformando montadoras e concessionárias de veículos em reféns de empresas e sindicatos que regulam o esquema de fixação artificial de preço e divisão de mercado.

Montadoras temem represália
A relação de força imposta pelo cartel foi confirmada mais uma vez. Dessa em documento das montadoras Nissan/Renault encaminhado ao MPRJ. No material, representantes da indústria afirmam que os responsáveis pelas marcas temem retaliação por parte dos atuais transportadores. A reação do cartel pode ocorrer sob a forma de greve com retenção de carga da empresa e riscos de segurança com relação aos produtos e pessoas que trabalham na Nissan, informaram os advogados.

Há mais dez anos, o MPF identificou ágio de 25% sobre os fretes praticados em mercados não balizados pela livre concorrência. O percentual subiu para até 40%, conforme investigações que culminaram na Operação Pacto, deflagrada em 17 de outubro. O ágio pago pelas montadoras é integralmente repassado aos consumidores.