Cade define hoje futuro da compra da Transvip pela Prossegur. Parecer da Superintendência é contrário à operação

A conselheira Paula Farani de Azevedo Silveira, relatora do Ato de Concentração envolvendo a compra da Transvip pela Prossegur, incluiu na pauta da sessão desta quarta-feira (11) do Tribunal do órgão antitruste a decisão sobre o parecer da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que se manifestou contrário à aquisição. Contendo 70 páginas, o parecer aponta, inclusive, que no mercado de transporte e custódia de valores, principalmente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, “parcela significativa de clientes tem a percepção de baixa rivalidade no setor”.

No mesmo documento, a SG destaca:

“A presença da TBForte (terceira interessada nos autos) em licitações públicas no setor pode de fato estar impondo uma concorrência que faça com que seus adversários pratiquem preços mais próximos de seus custos, pois mesmo quando não sai vencedora, os certames apresentam descontos maiores”.

Também afirma o relatório que a operação gera concentração mais relevante no mercado de transporte e custódia de valores nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Nos últimos cinco anos, segundo o Cade, só duas empresas ingressaram no segmento.

“A própria TBForte, informa que em 2014 iniciou suas atividades não orgânicas e encontra-se, neste momento, em posição considerada distante das líderes no cenário mais amplo nacional.”

A Prossegur, de origem espanhola, é considerada a maior empresa de carros fortes do Brasil. A Superintendência da autoridade antitruste concluiu, baseada em informa’cões colhidas nos últimos anos:

“Não se pode ignorar que o movimento de concentração verificado no setor tem se intensificado, tendo sido a Prossegur uma das protagonistas desse movimento”.

Oitenta porcento desse mercado estão nas mãos da espanhola e da norte-americana Brink’s. Outro Ato de Concentração, envolvendo a Brink’s, também está em análise. No setor de transporte de veículos novos, investigado em inquérito administrativo, dois grupos econômicos (Sada e Tegma) detêm quase 90%.