Apontado pela Polícia Federal como chefe de organização criminosa, Medioli trava batalha no TJMG para não ser processado na Justiça comum

Uma verdadeira batalha está sendo travada no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) por advogados para o atual prefeito de Betim (MG), Vittorio Medioli, não ser processado na Justiça comum. Apontado no inquérito 277/2010 da Polícia Federal como chefe de organização criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos em todo o país, Medioli, que também é o proprietário do grupo Sada, insiste em ser contemplado com a prerrogativa de foro, o que lhe garantiria ser processado em Belo Horizonte, em vez de na 11ª Vara Criminal da comarca de Porto Alegre (RS).

Depois de os desembargadores acatarem o parecer do relator Adilson Lamounier, que determinou o envio imediato do inquérito da Policial Federal para o Rio Grande do Sul, Medioli deu início a uma série de recursos. De acordo com a assessoria de comunicação do TJ mineiro, o tribunal entende que não cabe mais recursos, “mas a defesa insiste”. Um Recurso Extraordinário que deveria ter sido enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF)  foi negado pela 3ª vice-presidência. A defesa agora protocolou outro Recurso Extraordinário com Agravo.

Posição unânime
Os desembargadores mineiros rejeitaram manter a prerrogativa de foro privilegiado do político e empresário. Segundo entendimento sacramentado por unanimidade na 5ª Câmara Criminal do TJMG, acontecimentos em que Medioli é apontado como integrante se referem às suas atividades no campo empresarial, não guardando qualquer nexo com o desempenho das atividades como gestor municipal à frente da Prefeitura de Betim. A decisão está amparada por determinação do STF ocorrida no final do ano passado.

São Paulo
Na comarca de São Bernardo do Campo (SP), Medioli também está na lista composta por outros 12 integrantes do chamado cartel dos cegonheiros. Em ação penal movida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o dono do grupo Sada é acusado de formação de cartel e de quadrilha. Fazem parte executivos das empresas de Medioli e do Grupo Tegma Gestão Logística. Nesse caso específico, o TJ mineiro também decidiu pelo retorno do processo à comarca de SBC. Pelo conteúdo ao qual o site Livre Concorrência teve acesso com exclusividade, a defesa mais contundente foi exercida por advogados de defesa da Tegma, que não obtiveram êxito em manter o processo na capital mineira.