Dono do grupo Sada não está só. PF indiciou outros envolvidos em incêndios criminosos

O inquérito 277/2010 da Polícia Federal que tramitou praticamente por dois anos no Tribunal de Justiça de Minas Gerais e que nos próximos meses deverá desembarcar na 11ª Vara Criminal da Comarca de Porto Alegre (RS) não aponta só o político e empresário Vittorio Medioli como integrante da associação criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos no país. Traz outros indiciados. O foco são crimes contra a “paz pública”, praticados por meio de ataques incendiários a caminhões-cegonha de empresas que ingressaram no bilionário mercado de fretes sem a chancela do chamado cartel dos cegonheiros.

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Coquetel molotov
O inquérito baseia-se em crimes praticados entre setembro de 2009 e setembro de 2010 nos estados de Pernambuco, Bahia, Goiás e Santa Catarina. Numa espécie de delação, o cegonheiro José Carlos Rodrigues, mais conhecido como Pernambuco, contou tudo aos policiais federais e a um juiz gaúcho. Chegou a montar e entregar aos federais um protótipo de coquetel molotov (foto de abertura) desenvolvido e utilizado para queima total dos caminhões-cegonha. Ele deverá retornar a Porto Alegre para confirmar o depoimento. Os incêndios mais recentes, ocorridos em São Paulo e Rio de Janeiro, ainda estão sendo investigados pela Polícia Civil desses estados.

Numa das decisões tomadas pelo desembargador Adilson Lamounier, da 5ª Câmara Criminal do TJMG (e que deverá ser validada pelo juízo de 1º Grau), o magistrado solicitou diligências à Superintendência de Investigações e Polícia Judiciária, Núcleo de Combate aos Crimes Praticados por Agentes Políticos Municipais. Algumas delas são relacionadas aos indiciados: Claudemir Soares de Oliveira (Tramontina), João Danilo Gomes Martins (João Serrano), Tiago Gomes Martins (Tiago Serrano) e Luciano Gomes Martins (Goiano).

Em outros despachos de Lamounier, é citado também o nome do diretor comercial da Sada, Edson Luiz Pereira. Ele é um dos réus na ação penal movida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo (SP). O desembargador também pediu para que fossem anexados laudos técnicos e boletins de ocorrência dos incêndios criminosos ocorridos naquele período.