Policia Civil aguarda laudos do Instituto de Criminalística para apurar autoria do incêndio que destruiu 25 caminhões-cegonha a serviço da Brazul, carregados com 85 veículos

O conchavo do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg) para acalmar o setor não interromperá as investigações dos crimes praticados no ABC Paulista. As provas recolhidas depois do incêndio que destruiu 85 veículos novos e 25 caminhões-cegonha – a maioria a serviço da transportadora Brazul, empresa do grupo Sada, cujo dono é o empresário e político Vittorio Medioli – ainda estão sendo analisadas pela perícia. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que os investigadores do 8º Distrito Polícial (DP) de São Bernardo do Campo aguardam os resultados da análise técnica.

Em nota encaminhada ao site Livre Concorrência, a assessoria de imprensa do órgão esclarece:

“O caso foi encaminhado ao 8º DP de São Bernardo do Campo, responsável pela área dos fatos, para prosseguimento das investigações.”

E conclui:

“A perícia foi realizada e, assim que os laudos do Instituto de Criminalística (IC) forem concluídos, serão disponibilizados para análise da autoridade policial.”

Vinte e cinco caminhões-cegonha carregados com 85 veículos novos foram incendiados na madrugada de 26 de fevereiro, no pátio terceirizado, segundo consta (foto de abertura), em São Bernardo do Campo. Depois de apagar as chamas, o Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo identificou indícios de que o incêndio foi criminoso. Segundo o capitão Marcos Palumbo, porta-voz da corporação, foram encontrados dois pontos de origem do fogo.

Isso, conforme explicou o oficial, é um indício de que o incêndio possa ser criminoso.

“Foram localizados dois pontos simultâneos, a uma grande distância um do outro. Em casos não criminosos [de incêndio], geralmente é identificado um ponto apenas.”

Operação Pacto
O crime pode estar ligado a uma represália de cegonheiros afastados das transportadoras Tegma e Brazul (Sada). Recentemente os grupos Tegma e Sada  foram alvos de mandados de busca e apreensão de dados no âmbito da Operação Pacto, deflagrada em outubro do ano passado por agentes da Polícia Federal e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo (SP). Servidores do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também participaram da investigação, que culminou em devassa no chamado cartel dos cegonheiros – uma organização criminosa que atua em todo o país, causando prejuízos superior a R$ 2 bilhões por ano ao consumidor e impedindo o ingresso de novos agentes no mercado.

Em outro inquérito da Polícia Federal, Sada e Tegma são investigadas por coordenar ataques a caminhões de transportadoras independentes. Vittorio Medioli foi indiciado por chefiar a quadrilha responsável por incêndios criminosos no setor de transportde de veículos em todo o país.