Diretor-presidente da Tegma renuncia menos de cinco meses depois de PF, Cade e Gaeco cumprirem mandados de busca e apreensão na sede do grupo em São Bernardo do Campo

Menos de 150 dias depois de agentes da Polícia Federal, servidores do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumprirem mandados de busca e apreensão na sede da Tegma Gestão Logística em São Bernardo do Campo, no âmbito da Operação Pacto, o conselho de administração da companhia acatou pedido de renúncia de Gennaro Oddone dos cargos de diretor-presidente e diretor de relações com investidores do grupo. O afastamento foi decidido em reunião realizada em 5 de março – antes de Operação Pacto, deflagrada em 17 de outubro de 2019, completar cinco meses.

Na ata de reunião na qual foi acatada a renúncia e eleito o sucessor de Oddone, os conselheiros negaram qualquer relação com as investigações que apuram a participação dos grupos Tegma e Sada na organização criminosa que controla o bilionário mercado de transporte de veículos novos no país. Pelo contrário, os membros enalteceram a importância da liderança exercida por Oddone nos últimos anos.

Eles ressaltaram:

“O mérito (de Oddone) em consolidar o bom relacionamento da Tegma com a indústria automobilística, adequar a sua estrutura de custos a uma nova realidade econômica e renegociar os termos de contratos relevantes. Além disso, ele foi responsável por estabilizar os resultados da divisão de logística integrada, o que acabou por fortalecer o fluxo de caixa da Companhia.”

Oddone foi substituído por Marcos Antonio Leite de Medeiros, que possui mais de 23 anos de experiência em operações logísticas e já atuou nos segmentos petroquímico, químico e de bens de consumo.

Fora da Tegma, a carta de renúncia apresentada por Oddone é considerada mero teatro. O informativo intitulado Relatório Reservado, com mais de 50 anos de atuação no mercado de negócios e finanças, revelou que o ex-presidente “entrou em rota de colisão com os acionistas.”

O material editado pela Insight Comunicação informou:

“Talvez o tempo do executivo tenha mesmo chegado ao fim; talvez os sócios da empresa queiram criar um bode expiatório para eventuais malfeitos. A saída de Oddone se dá no momento em que a PF e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Pú- blico de São Paulo (Gaeco) avançam nas investigações contra a Tegma no âmbito da Operação Pacto.”

A publicação acrescentou:

“O assunto cala fundo nos sócios da Tegma. Há três meses, o vice-pre- sidente da empresa, Evandro Luiz Coser, acionou a Justiça na tentati- va de evitar a divulgação de dados e notícias sobre as investigações. Teve o pedido rechaçado.”

Os vínculos da Tegma com o chamado cartel dos cegonheiros não se restringem apenas às descobertas da Operação Pacto. Em 2012, o Gaeco ofereceu denúncia à Justiça contra executivos integrantes do comando dos grupos Sada (quatro réus) e Tegma (seis réus), além de Aliberto Alves (ex-presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg) e Luiz Salvador Ferrai (ex-presidente da Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV). Eles são acusados de abuso de poder econômico, dominação de mercado, eliminação total ou parcial de concorrência, fixação artificial de preços, formação de cartel e associação criminosa.

Atualmente o processo de 67 volumes e mais de 14 mil páginas contra integrantes do cartel dos cegonheiros está concluso para o juiz da 5ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo proferir nova decisão.

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