Frotistas gaúchos vão contribuir com R$ 220 mil para pagar prejuízos causados por guerra interna de ‘associação criminosa’ em São Paulo 

Cento e dez frotas (caminhões) de filiados ao Sindicato dos Cegonheiros do Rio Grande do Sul (Sintravers) deverão acatar a decisão da assembleia organizada pelo Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sinaceg) e destinar, cada uma, R$ 2 mil para proprietários de 25 caminhões-cegonha, cujos conjuntos foram incendiados criminosamente no estado de São Paulo em fevereiro deste ano. O prejuízo, estimado em R$ 7,4 milhões, será rateado entre cerca de 3,7 mil frotas ligadas ao sindicato paulista que se autoproclama nacional. Aqui no RS, a contribuição compulsória só vale para as frotas que prestam serviços a transportadoras do cartel dos cegonheiros, empresas ligadas aos grupos Sada e Tegma, por exemplo.

O bilionário segmento do setor de transporte de veículos novos é controlado com mãos de ferro por uma associação criminosa (segundo apuração da Polícia Federal, Gaeco e Ministério Público Federal) investigada a décadas pelas autoridades. Já houve condenações nas esferas criminal e cível, mas até hoje os efeitos práticos não foram sentidos por setores econômicos e, principalmente, por consumidores que a cada ano arcam com um sobrepreço no valor dos fretes da ordem de R$ 2 bilhões. O Sinaceg é considerado braço político e operacional das grandes transportadoras que dominam o mercado de caminhões-cegonha. A entidade, além de um ex-presidente, acumula condenações por formação de cartel.

Apesar de discordar com veemência das notícias que apontam o atrelamento do Sintravers ao comando central de São Paulo, o presidente da entidade gaúcha, Jefferson de Souza Casagrande, conhecido como Bolinha, admite a participação do rateio. O sindicalista ressalta, no entanto, que os associados agregados à Júlio Simões (que foi contratada pela General Motors por ordem da Justiça Federal) estarão de fora da contribuição extra. A transportadora de Mogi das Cruzes (SP) não integra o cartel.

Por conta da pandemia do Coronavírus, o auxílio está suspenso por 90 dias, segundo apurou o site Livre Concorrência. Mesmo assim não há consenso sobre a decisão. Tem associado entendendo que se trata, “teoricamente”, da assinatura de um atestado de autoria dos incêndios criminosos, mas mesmo assim acredita que todos irão pagar.

Ao site Livre Concorrência, Casagrande não conseguiu precisar o número de associados ao Sintravers que atua nas transportadoras do cartel – aquelas que integram a ANTV (entidade extinta por ordem da Justiça Federal em duas instâncias e que aguarda decisão de conflito de competência no Superior Tribunal de Justiça, o STJ). Ele respondeu:

“Não tenho esse número. O sindicato está fechado e quando abrir eu consigo.”

Os números vieram de outro integrante da entidade classista patronal. São 110 frotas de cerca de 60 empresas agregadas às transportadoras Brazul e Transzero (controladas pelo grupo Sada, de propriedade do político e empresário Vittorio Medioli), além da Tegma Gestão logística (um dos alvos da Operação Pacto) e Transauto.

Fotos: Divulgação/Corpo de Bombeiros