Ágio cobrado pelo cartel é sete vezes maior que o faturamento bruto das transportadoras independentes

No mercado de transporte de veículos novos a meritocracia é um produto da imaginação. Mesmo com preços competitivos e tecnologia superior à média das empresas que operam no setor (inclusive as grandes), as transportadoras independentes receberam apenas 5% do total pago pelas montadoras para escoar a produção vendida no mercado interno. As poucas empresas que controlam o setor, por meio da organização criminosa conhecida como cartel dos cegonheiros, concentraram 95% dos recursos destinados ao pagamento de fretes no primeiro trimestre de 2020.

O fato de o ágio cobrado pelo cartel dos cegonheiros ser sete vezes maior que o faturamento bruto das transportadoras independentes que prestam serviços às montadoras com fábricas no país só torna mais evidente a discrepância. Vale repetir: somente o ágio é sete vezes maior que o faturamento da concorrência.

O cartel acumulou R$ 668,8 milhões em ágio em apenas três meses. O Valor é pago pelas montadoras, mas integralmente repassado aos consumidores. Ao todo, a indústria destinou ao cartel R$ 1,672 bilhão em 90 dias. À concorrência coube R$ 90 milhões.

Dos veículos transportados, as empresas não alinhadas ao cartel respondem por apenas 7,2% do total. A falta de livre concorrência no setor perpetua essa situação.