Volks, Renault e Toyota continuam em silêncio sobre incêndios criminosos, mas repassaram ágio de R$ 221,1 milhões aos clientes

Volkswagen, Renault e Toyota somaram prejuízo de R$ 8,5 milhões nos incêndios criminosos ocorridos no final de fevereiro nos municípios paulistas de São Bernardo do Campo e Caçapava. Foram queimados 85 veículos novos, além de 25 caminhões-cegonha. Os ataques são atribuídos à disputa por frotas dentro do próprio cartel dos cegonheiros. Se for levado em consideração o valor médio dos modelos comercializados por essa três marcas, cerca de R$ 100 mil, o prejuízo representa apenas 3,8% do ágio embutido pelo cartel dos cegonheiros no preço do frete contratado por essas mesmas montadoras. O sobrepreço no frete, decorrente da divisão do mercado e do alinhamento de preços, somou R$ 221,7 milhões nos primeiros meses. Ao todo, Volkswagen, Renault e Toyota repassaram às empresa do cartel R$ 554,4 milhões nesse período de 2020.

Volkswagen, Renault e Toyota se negam a falar sobre o episódio que está sendo investigado pela Polícia Civil de São Bernardo do Campo (SP). Perícia do Corpo de Bombeiros realizada em um dos locais onde os veículos foram destruídos identificou evidência de que o incêndio foi criminoso.

Sindicato se compromete a organizar rateio entre associados
O Sinaceg, considerado braço político e operacional do cartel dos cegonheiros, se comprometeu a administrar o rateio para pagar os prejuízos de quem teve o patrimônio incendiado criminosamente. A entidade paulista, que se autointitula “nacional”, alegando atender a pedido de associados, aprovou em assembleia o rateio das perdas decorrente da queima de 25 caminhões-cegonha entre 3,7 mil frotas (caminhões). Cada uma pagará R$ 2 mil.

Pelo que arrecadou com as montadoras, o cartel também poderia arcar com o prejuízo dos automóveis queimados. A lógica, infelizmente, diz que essa conta recairá sobre os consumidores.