Montadoras querem R$ 40 bilhões em crédito barato, mas se negam a romper com o cartel que cobra ágio superior a R$ 2 bilhões por ano

A indústria automobilística, representada pela maioria das montadoras instaladas no país, começou a choradeira em busca de dinheiro barato ou de graça, mas se nega a romper com o cartel dos cegonheiros que cobra ágio superior a R$ 2 bilhões por ano. O sobrepreço, fruto da falta de concorrência no setor de transporte de veículos novos,  é repassado das montadoras automaticamente para o bolso dos compradores de veículos zeros-quilômetro. O presidente da Volkswagen do Brasil, Pablo Di Si, afirmou ao Neo Feed que o setor precisará de algo em torno de R$ 30 e R$ 40 bilhões em linhas de crédito nos próximos quatro meses para evitar uma possível quebradeira no setor. Ele ressaltou:

“Isso aqui não é um risco da Volkswagen ou de qualquer outra montadora. Isso é um risco sistêmico para toda a cadeia.”

Pensamento igual tem o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea). Luiz Carlos de Moraes declarou ao grupo Estado que bancos privados cobram taxas abusivas quando liberam empréstimos.

Na entrevista concedida ao Neo Feed, Pablo Di Si sequer mencionou ou foi questionado a respeito do apoio incondicional da VW à associação criminosa que controla com mãos de ferro o setor de transporte de veículos novos. O esquema, coordenado por poucas transportadoras e sindicatos, está sob investigação da Polícia Federal, Gaeco e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Vale destacar: o cartel dos cegonheiros embolsa mais de R$ 2 bilhões/ano apenas com a comercialização de veículos no mercado interno. Essa organização criminosa também controla a maior parte dos fretes dos veículos destinados à exportação.

Com o site Livre Concorrência, apesar das solicitações, o executivo se nega a conversar e prestar esclarecimentos. Em dezembro de 2017, a Volkswagen denunciou à Justiça paulista que seus transportadores estavam impedindo, ilegalmente, a montadora de buscar melhor qualidade técnica e preço mais competitivo no escoamento da produção. Logo em seguida, anunciou acordo com os denunciados, continuando a transferir o prejuízo causado por conta do ágio de 40%, conforme apuração da Polícia Federal, cobrado no frete dos compradores da marca.

Já o presidente da Anfavea queixou-se da restrição de crédito. Moraes acusou os bancos privados de estarem “sentados em cima da liquidez”. Quando liberam recurso, segundo o dirigente, o fazem com taxas absurdas. Os bancos, que deveriam estar provisionando, estão “asfixiando”, disse. Ele também argumentou que a entidade conversou com o ministro Paulo Guedes, da Economia, em busca de uma solução.

“Estamos sofrendo muito”, disse o dirigente da Anfavea e executivo da Mercedes-Benz ao grupo Estado, sem falar sobre as perdas decorrente da ação do cartel dos cegonheiros. Moraes defende agilidade do governo federal, do Banco Central e do Congresso Nacional para que medidas sejam tomadas. De acordo com ele, o problema não é só do setor automotivo e não pode ser subestimado. Dados mostram que o setor automobilístico possui 500 fornecedores, 7 mil concessionárias e envolve mais de 1 milhão de pessoas.

Ao grupo Estado, Moraes fez um apelo:

“Precisamos de capital de giro para pagar fornecedores, ajudar a rede de concessionários e financiar os próprios bancos das montadoras, para fazer girar.”

O site Livre Concorrência acrescenta: inclusive para ajudar a engordar o cofre do cartel dos cegonheiros.