Reflexos da Operação Pacto e prejuízos econômicos causados pela pandemia podem reduzir preço-alvo da Tegma, revela relatório do BTG Pactual

O progresso das investigações que apuram a cartelização no bilionário setor de transporte de veículos novos e os prejuízos causados pela pandemia de Covid-19 na indústria automobilística podem contribuir para a redução no preço-alvo da Tegma de R$ 34 para R$ 23. O corte acompanha a previsão de baixa no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 50% e 28% nos anos de 2020 e 2021, respectivamente, além da redução do lucro líquido em 63% em 2020 e 39% em 2021. O cenário foi antecipado em relatório do BTG Pactual sobre o setor de logística. Vale lembrar. No dia em que a Operação Pacto foi deflagrada (17 de outubro de 2019), as ações da Tegma caíram mais de 12%.

Em outubro do ano passado, agentes da Polícia Federal, Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-SP) e servidores do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vasculharam as sedes das empresas Tegma, em São Bernardo do Campo, e Sada, em Betim, além de outras empresas e de um sindicado de cegonheiros no Espírito Santo. A Operação Pacto comprovou a existência de um acordo para dividir o mercado bilionário de fretes de veículos zero-quilômetro entre poucas transportadoras e a cobrança de ágio de 40%. O sobrepreço origina-se na falta de livre concorrência.

Os alicerces da Operação Pacto foram construídos pelo Cade, a partir de acordo de leniência firmado entre uma empresa e o órgão antitruste. Desde 2016 o Cade investiga o setor. O resultado das apurações foi encaminhado em 2018 à Delegacia de Repressão contra Crimes Fazendários da Superintendência da Polícia Federal. Juntos, Cade, PF e Gaeco confirmaram e comprovaram crimes cometidos pelo chamado cartel dos cegonheiros contra a ordem econômica.

Desde então, o Cade já prorrogou inquérito que investiga o setor diversas vezes, por causa da compilação de dados e documentos apreendidos na Operação Pacto.

Em outra frente judicial, seis executivos da Tegma são réus em ação penal movida pelo Gaeco de São Bernardo do Campo, junto com integrantes da Sada e ex-presidentes do Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sinaceg, ex-Sindicam) e da Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV). Todos são acusados de formação de cartel e de quadrilha. O processo que corre na comarca de SBC está aguardando decisão do juízo.

Recomendação de compra
Apesar da dificuldades decorrentes do avanço das investigações e da recuperação lenta do mercado de varejo no período pós-crise, o BTG manteve recomendação de compra das ações da companhia. O transporte de veículos novos responde por 88% da receita líquida e 81% do ebitda da Tegma.