Polícia Federal faz busca e apreensão em Sindicato de Cegonheiros e na casa do presidente. celular e documentos foram recolhidos

No mesmo dia em uma força-tarefa da Polícia Federal, Controladoria-Geral da União, Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul, Ministério Público Federal e Ministério Público do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Camilo para apurar desvios de recursos públicos destinados à saúde em Rio Pardo, um outro grupo de policiais federais se dirigiu à sede do Sindicato dos Cegonheiros do Rio Grande do Sul (SIntravers), em Gravataí, e à casa do presidente da entidade, Jefferson de Souza Casagrande, mais conhecido como Bolinha (foto de abertura). Era o cumprimento de mandados de busca e apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos. Há indícios de que as diligências envolvendo o sindicalista sejam um desdobramento do inquérito que investiga uma organização criminosa que controla, inclusive com o uso de violência, o transporte de veículos novos em todo o país. Essa investigação deu origem à Operação Pacto, deflagrada em 17 de outubro do ano passado. Na ocasião sedes das transportadoras Sada e Tegma, além de um sindicato do Espírito Santo, foram vasculhados pela PF, Gaeco e Cade. As diligências continuam se alastrando.

Ao site Livre Concorrência, Bolinha explicou:

“Não posso falar muito, mas as perguntas que respondi eram sobre o transporte de veículos, queriam saber sobre determinadas pessoas, onde estavam.”

O telefone celular dele e vários documentos foram apreendidos pela autoridade policial. Pelo aplicativo de WhatsApp, Casagrande explicou aos associados o que aconteceu por meio de mensagem de áudio. Disse não ter sido conduzido coercitivamente, mas afirmou:

“Tive de ir à Polícia Federal por questões particulares. Tive de apresentar documentos para depois ser liberado e posteriormente prestei depoimento a um delegado”.

Ele também esclareceu que estava à disposição dos integrantes do grupo para qualquer esclarecimento:

“Podem me ligar nesse telefone agora, porque o meu ficou lá na Polícia Federal.”

Ao site, o presidente argumentou que, ao prestar depoimento, manifestou sua disposição de abrir mão da presença de advogado, visando a acelerar o procedimento:

“O delegado colocou isso nas primeiras linhas dos esclarecimentos que prestei.”

O advogado Rogério Blazina, que também representa o Sintravers, chegou ao final da declaração, mas de acordo com Casagrande, “nem havia necessidade da presença de um advogado”.

Há notícias de que policiais federais também fizeram buscas de documentos e de equipamentos na casa de Ewerton de Souza Casagrande, irmão do presidente.

“Me disseram que foram, mas não posso confirmar porque ainda não conversei com ele (o irmão).”

O líder sindical denunciou a existência de cartel no setor de transporte de veículos novos nos anos 2000. Depois acabou se aliando ao esquema que controla mais de 95% dos fretes realizados por caminhões-cegonha no país.

Youtube
Desde a terça-feira corriam rumores sobre a prisão do presidente do Sintravers, nas redes sociais e em conversas telefônicas. Havia informações desencontradas indicando, inclusive, a possibilidade de envolvimento na Operação Camilo, o que foi afastado e negado hoje pelo próprio Casagrande. O jornalista Chico Pereira, que possui um blog de notícias, na manhã da quarta-feira (ontem), chegou a comentar o assunto. Entre outros temas, Pereira destacou a complexidade das questões envolvendo o transporte dos veículos produzidos pela General Motors de Gravataí:

“É grande o rolo no escoamento da produção da GM. Não vou entrar na questão que é jurídica, mas que tem rolo, tem.”