Afirmações desencontradas da Fenaval levam Cade a intimar empresas de transporte de valores para prestar esclarecimentos

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) intimou pelo menos quatro empresas para prestar esclarecimentos. Todas pediram prorrogação de prazos. Informações desencontradas apresentadas pela Federação Nacional das Empresas de Transporte de Valores (Fenaval), em procedimento preparatório analisado pelo Conselho, motivaram a conduta. Numa manifestação, a entidade afirma que não haveria barreiras à entrada no segmento. Em outra, a Fenaval ressaltou, diferentemente da anterior, que a SG (Superintendência-Geral) tem identificado outras barreiras à entrada, além das regulatórias.

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Brincks Segurança e Transportes de Valores, Prosegur Brasil, Transportadora de Valores e Segurança e Protege Serviços de Segurança deverão responder cerca de 60 perguntas cada uma. Tecban e TBforte, que aparecem como representadas na queixa chancelada pela Faneaval, também deverão responder o extenso questionário. Um pente-fino nos números das principais empresas que atuam no setor está entre os objetivos do Cade, que também vai atingir, em outro inquérito, o setor de transporte de veículos novos, no âmbito do chamado cartel dos cegonheiros.

Recentemente, o órgão analisou diversas compras de empresas no setor, e chegou a proibir novas aquisições durante os próximos três anos por parte da Brinks e Prosegur, como uma maneira de tentar evitar maior concentração.

Na decisão, o Cade cita:

“Na manifestação SEI 06654425, a Fenaval afirmou que não haveria barreiras à entrada no segmento de transporte e custódia de valores. Por sua vez, na manifestação SEI 0721449,  a Fenaval ressaltou, diferentemente da anterior, que a Superintendência-Geral tem identificado outras barreiras à entrada, além das regulatórias, tais como necessidade de escala, externalidades de rede, contratação de seguros em condições competitivas e obtenção de custódia junto a instituições financeiras, e por isso, afirmou que a contratação de seguro em condições competitivas configura-se uma barreira do mercado, já que é condição imprescindível para atuar nesse ramo da atividade econômica.”