Inquérito que aponta Vittorio Medioli como chefe de organização criminosa já chegou à comarca gaúcha, onde o político e empresário será processado

O inquérito da Polícia Federal que aponta Vittorio Medioli como chefe de organização criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos em todo o país já está na 11ª Vara Criminal de Porto Alegre. O processo chegou à comarca gaúcha em 4 de maio, depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF),
negar prerrogativa
de foro ao prefeito de Betim (MG) e proprietário do grupo Sada.

A decisão de Moraes foi tomada em 26 de fevereiro. A sentença validou a posição de 2019 do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Medioli queria ser processado em Minas Gerais, mas os desembargadores rejeitaram o recurso. Entenderam que os crimes atribuídos ao empresário e político não têm nexo com o exercício do cargo de prefeito municipal e teriam ocorrido no âmbito empresarial, antes mesmo de ele ser eleito prefeito. Medioli recorreu ao STF e perdeu.

O inquérito 277/2010, aberto e concluído pela Polícia Federal, é composto por seis volumes e apresenta uma análise acurada de dezenas de incêndios criminosos de caminhões-cegonha. O grupo de indiciados é extenso. A PF contou com a colaboração de um cegonheiro que delatou o esquema. Ele prestou depoimento rico em detalhes das inúmeras ações criminosas praticadas pelo grupo. Os incêndios serviam para punir empresas que ousassem disputar cargas com o cartel dos cegonheiros. Ao final das apurações, Medioli foi indiciado por chefiar a organização criminosa investigada, conforme conclusões da Polícia Federal.

Outro processo em que Medioli aparece como réu está concluso para julgamento na 5ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo. O dono do grupo Sada e mais 11 pessoas são acusados de abuso de poder econômico, dominação de mercado, eliminação total ou parcial de concorrência, fixação artificial de preços, formação de cartel e associação criminosa.

Os réus são executivos integrantes do comando dos grupos Sada (quatro) e Tegma (seis), além de ex-presidentes do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg, ex-Sindicam) e da Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV).

No inquérito, os promotores comprovaram, por meio de documentos e depoimentos, a “existência de uma sofisticada organização voltada à prática delitiva, dotada de evidente animus associativo, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes contra a ordem econômica”.