Economistas do banco central americano afirmam que os monopólios estão destruindo o continente

O aumento do poder de mercado das grandes empresas aliado à desigualdade crescente se constituem nos dois principais problemas da economia americana. O mesmo vale para o Brasil, onde grandes grupos econômicos dominam mercados – a exemplo do que ocorre nos setores de transporte de veículos novos e do transporte e custódia de valores. A conclusão no caso norte-americano foi divulgada por Isabel Cairó e Jae Sim, dois economistas do Federal Reserve (FED), o Banco Central Americano. O estudo denominado Market Power, Inequality, and Financial foi divulgado pela Bloomber e, na semana passada, pelo Brazil Journal.

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Para os especialistas, a parcela do PIB (Produto Interno Bruto) destinada aos trabalhadores caiu. Em contrapartida, os lucros das empresas cresceram significativamente, aumentando a concentração de renda e riqueza “num ritmo impressionante”. Isso nos últimos 40 anos. Os dados mostram que entre 1983 e 2016, o patrimônio dos 5% mais ricos já havia triplicado, sem contar toda a alta da Bolsa nesse mesmo período. Para Isabel e Sim, os fenômenos estão aumentando o risco financeiro e a alavancagem da economia. Os trabalhadores mais pobres se endividam para sobreviver, enquanto os mais ricos aumentam a demanda por títulos da dívida.

‘A ascensão do poder de mercado das maiores corporações pode ter sido a força motriz de todas essas tendências”, aponta o documento. Políticas públicas que redistribuam a renda “podem ser ferramentas macroprudenciais poderosas para evitar crises financeiras”, dizem os economistas. Também é destacado que ao longo das últimas três décadas, por exemplo, um aumento gradual do imposto sobre dividendos de zero para 30% poderia ter sido eficaz para evitar quase 50% do crescimento da desigualdade de renda, crescimento do crédito e o aumento da probabilidade endógena de uma crise financeira”. A pesquisa, publicada por funcionários vistos como não partidários e que não reflete necessariamente a visão do FED, ecoa uma série de estudos recentes analisando os ricos que a concentração de mercado impõe ao capitalismo.