Jornais identificados com o cartel dos cegonheiros atacam a JSL sempre que montadoras ameaçam trocar transportadoras

Não é de hoje que o fantasma da JSL assombra a hegemonia da organização criminosa que controla o transporte de veículos novos no país. O medo parece pairar de forma recorrente sobre as fábricas da Volkswagen. Em maio de 2016, o Diário do Grande ABC descreveu como “pesadelo” a possibilidade de a montadora alemã trocar as transportadoras Brazul, Tegma, Transauto e Transzero por empresa do grupo Júlio Simões. Das quatro prestadoras atualmente contratadas pela VW, três pertencem ao grupo Sada, cujo dono é Vittorio Medioli.

A reportagem qualifica a situação como dramática:

“O drama da possibilidade de troca nos fornecedores, iniciado em meados do ano passado, pode gerar a demissão de 50 mil trabalhadores diretos e indiretos, sendo 5.000 no Grande ABC. Em 2015, a ameaça foi suspensa graças à paralisação que durou cinco dias e interditou rodovias, como a Via Anchieta, gerando transtornos à população.”

E continua:

“Ao que parece, o risco foi apenas postergado, já que, segundo motoristas de caminhão-cegonha, a Volkswagen sinalizou que pretende alterar o responsável pela entrega dos carros. Procurada, a montadora não se manifestou.”

Logo em seguida a reportagem parte para o ataque:

“A JSL está envolvida em grandes escândalos de superfaturamento, a exemplo do mais recente, deflagrado no fim do ano passado, envolvendo viaturas da PM (Polícia Militar) do Rio de Janeiro.”

Mais ataques do cartel
Em 2009, o jornal O Tempo, de propriedade de Vittorio Medioli, aponta nova denúncia contra a Julio Simões. A propósito, foi na sede desse veículo de comunicação que Medioli recentemente recebeu o presidente da Volks, Pablo Di Si (foto de abertura).

O texto começa assim:

“Mais uma denúncia de fraude envolvendo o grupo Julio Simões Transportes e Serviços Ltda é apurada no país. Dessa vez, o Ministério Público do Estado de São Paulo apura uma suspeita de corrupção e manipulação de concorrência pública na exploração do transporte coletivo de Mogi das Cruzes. O filho do fundador do grupo e diretor vice-presidente, Fernando Simões, deve ser ouvido no fim desta semana.

E acrescenta:

“Conforme divulgado por O TEMPO no último domingo, a participação da empresa em outras licitações também é investigada no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e na Bahia, sendo que, neste último Estado, dois executivos do grupo chegaram a ser presos. Em depoimento às autoridades baianas, o diretor da Julio Simões Jaime Palaia Sica, detido no último dia 5, teria admitido irregularidades também em Minas na compra e manutenção de 831 viaturas da PM.”

Vittorio Medioli é dono do grupo Sada. O político e empresário de Minas Gerais foi investigado e indiciado pela Polícia Federal como chefe da organização criminosa chamada cartel dos cegonheiros. O inquérito, concluído em 2010, já está na 11ª Vara Criminal de Porto Alegre, onde ele será processado, depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negar prerrogativa de foro a Medioli, que também é prefeito de Betim (MG).

Além desse inquérito da PF, Medioli também é acusado de formação de cartel e de quadrilha em processo que tramita na comarca de São Bernardo do Campo. Empresas de propriedade do político e empresário também foram alvo de buscas e apreensões na deflagração da Operação Pacto, junto com a Tegma, Gestão Logística.