Caminhão-cegonha é incendiado em pátio de transportadora de Vittorio Medioli

Pátio da transportadora Transzero, em São Bernardo do Campo, foi palco de mais um ataque incendiário contra caminhão-cegonha. O crime ocorreu na madrugada de domingo (13). A empresa pertence ao grupo Sada, cujo dono é o político e empresário de Minas Gerais Vittorio Medioli. Uma carreta e nove veículos embarcados foram totalmente destruídos pelo fogo.

Policiais Militares que atenderam à ocorrência recolheram no local sete garrafas tipo PET (2 litros) e um galão de plástico. As embalagens estavam cheias de gasolina. As imagens foram gravadas (foto abaixo) em vídeo e encaminhadas à redação do site Livre Concorrência.

Em nota, a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) repudiou o ato:

“Não sabemos qual a motivação de tal ato de vandalismo, e reafirmamos que não apoiamos atos de destruição do patrimônio pois não há nada que justifique tal conduta.”

E concluiu:

“A Abrava trabalha para defender os interesses da categoria dentro da legalidade e confia que as autoridades competentes tomarão todas as medidas legais cabíveis para punir o(s) responsável(eis) por este ato criminoso.”

O Sinaceg – um sindicato paulista que se autointitula nacional – também emitiu nota:

“Seguimos acreditando que as autoridades constituídas tomarão todas as providências para apurar a autoria e punir os responsáveis.”

O crime aconteceu quase 19 meses de depois de outro incêndio criminoso ter destruído 85 veículos novos e 25 caminhões-cegonha em pátio usado pelo grupo Sada, em São Bernardo do Campo. Na ocasião, os investigadores também encontraram indícios de ação criminosa. Nada indica que os eventos estejam relacionados.

Em junho, os laudos da perícia que analisou as provas recolhidas no incêndio ocorrido em fevereiro de 2019 já tinham sido entregues aos investigadores.

À época, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou:

“O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) de São Bernardo do Campo, que instaurou inquérito policial. A unidade está ouvindo testemunhas e analisa o resultado dos laudos periciais. Diligências estão em andamento para esclarecer os fatos.”

Os ataques incendiários contra caminhões-cegonha são frequentes e recorrentes no país. A ação vem sendo usada há décadas para impedir que montadoras contratem transportadoras desvinculadas de organização criminosa conhecida por cartel dos cegonheiros. A prática criminosa pode ter sido adotada por outro grupo. Essa suspeita é revelada na matéria intitulada Pano de fundo das novas retaliações é o transporte de carros multimarcas.

Em 2010, a Polícia Federal começou a investigar a queima de caminhões-cegonha em vários estados. O inquérito apontou Vittorio Medioli como chefe de organização criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos em todo o país e o acusou de praticar crimes contra a paz pública. Mais de dez anos depois de concluída, a peça chegou à 11ª Vara Criminal de Porto Alegre (RS), onde o grupo será processado.

O inquérito 277/2010, aberto e concluído pela Polícia Federal, é composto por seis volumes e apresenta uma análise acurada de dezenas de incêndios criminosos de caminhões-cegonha. O grupo de indiciados é extenso. A PF contou com a colaboração de um cegonheiro que delatou o esquema. Ele prestou depoimento rico em detalhes das inúmeras ações criminosas praticadas pelo grupo. Os incêndios serviam para punir empresas que ousassem disputar cargas com o cartel dos cegonheiros. Ao final das apurações, Medioli foi indiciado por chefiar a organização criminosa investigada, conforme conclusões da Polícia Federal.