Pano de fundo das novas retaliações é o transporte de carros multimarcas

O mais recente incêndio criminoso contra caminhão-cegonha de carreteiro (cegonheiro empresário) agregado à Transzero (empresa do grupo Sada), ocorrido no início da semana, expõe nova rixa entre integrantes do bilionário setor de transporte de veículos novos. Áudios transmitidos pelo aplicativo WahtsApp que chegaram ao site Livre Concorrência mostram claramente como funciona o setor. Mensagens também foram trocadas entre membros de um grupo de PX na faixa cidadão denominado Só Elite. Os diálogos informam que, desde a última segunda-feira (14), por ordem superior, ‘’está proibido transportar multimarcas”, também conhecido como “MM”, ou carros usados. 

Um dos interlocutores que relatou o fato em rede social destacou que na última chamada da Transmoreno (empresa recentemente adquirida pela Júlio Simões) houve a participação de um integrante do Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo, que não teve o nome revelado. Segundo afirmou, o representante sindical transmitiu o seguinte recado:

‘’Todas as frotas nacionais, independentemente da transportadora a que estejam agregadas, estão proibidas de transportar carros velhos, sob pena de represálias.’’

Deixaram claro que a ordem não parte das transportadoras, mas de uma associação que congrega os sem-terras (aqueles que transportam veículos novos na ida e retornam carregados com automóveis usados na volta).

O comunicado em tom ameaçador alerta que quem não obedecer a determinação pode vir a sofrer um incidente, um incêndio criminoso. O autor do áudio informa:

‘’Nesse caso, a responsabilidade é do patrão e do motorista, porque não haverá cobertura de seguro.’’

E diz ainda:

“Quem recebe frete Transmoreno, Brazul e Tegma, exceto Hyundai que tem frete barato, não precisa transportar carro velho porque recebem fretes entre R$ 32 mil e R$ 34 mil, por isso, não justifica carregar carro velho no retorno.’’

Ele referiu-se à maioria das linhas que transportam de São Paulo para São Luís (MA). Aqui vale acrescentar uma observação: O frete da Hyundai, que ele chama de barato, resulta da livre concorrência. A montadora coreana não é controlada pelo chamado cartel dos cegonheiros e, portanto, não repassa ao consumidor 40% de ágio pelo transporte de veículos. Nessa montadora, Tegma e Autoport cobram valores menores do que de outras montadoras onde não há concorrência.