Servidor é desligado do Cade após pedir investigação de lobby de Wassef para Viracopos

O uso político do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vem se tornando no maior pesadelo de quem acredita que o combate a cartéis e ao abuso de poder econômico é levado a sério no país. O receio tornou-se mais robusto depois da interferência do Senado, do centrão e de um dos filhos de Bolsonaro na indicação de conselheiros para o órgão. Nessa quinta-feira (17) esse temor se intensificou. O jornal O Globo informou que o servidor Carlos Eduardo Silva Duarte, que estava no Cade, foi desligado do cargo. Ele foi o autor do pedido de investigação à PGR sobre reportagem de O Antagonista que revelou o contrato de Frederick Wassef com a concessionária de Viracopos.

Wassef é o dono do imóvel onde Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, foi preso em Atibaia (SP). Ele também foi advogado de Flávio e do próprio presidente Jair Bolsonaro.

Na terça-feira, Augusto Aras anunciou a abertura de uma investigação preliminar sobre o caso, mas se manifestou pelo arquivamento. Para Carlos Eduardo, havia indícios de corrupção, advocacia administrativa e tráfico de influência.

Na quinta-feira, diz o Globo, o servidor recebeu a notícia de que a chefia do Cade havia feito um pedido de devolução dele à Embratur, empresa vinculada ao Ministério do Turismo, onde ele é servidor de carreira. Ele havia sido cedido ao Cade temporariamente, ainda neste ano. As informações são do site O Antagonista.

Wassef a serviço da Sada e Tegma
Wassef foi o advogado que operou em nome dos dois grupos econômicos que controlam o bilionário setor de transporte de veículos novos, chamado de cartel dos cegonheiros. Em 2015, participou de reuniões com integrantes da Sada, Brazul e Tegma. A intenção era convencer o editor do site Livre Concorrência, jornalista Ivens Carús, a receber R$ 1,5 milhão em uma mala para prestar depoimento fraudulento, acusando empresas concorrentes. Todo o esquema foi comunicado com antecedência às autoridades constituídas. O ”acordo” restou frustrado.