órgão antitruste aprova compra da Transmoreno pela Júlio Simões que passa a atender três montadoras

A decisão que deu aval à operação de aquisição da transportadora paranaense pela Júlio Simões foi publicada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no Diário Oficial do dia 21. A JSL, como é conhecida, passa a atender mais duas montadoras: a Renault e a Nissan – ambas pertencentes ao mesmo grupo econômico. Desde o início dos anos 2000, a empresa que tem sede em Mogi das Cruzes (SP) está fazendo o escoamento de parte da produção da General Motors, cobrando frete menor que as demais concorrentes. A montadora norte-americana foi obrigada pela Justiça Federal a contratar outra transportadora não vinculada ao sistema cartelizante.

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É o avanço da empresa paulistana sobre os domínios do chamado cartel dos cegonheiros, liderado pelos grupos Sada e Tegma que perdem espaço lentamente.

De acordo com dados revelados pela própria JSL em comunicado revelante ao mercado, a Transmoreno transportou, em 2019, 100,4 mil veículos produzidos pelas montadoras Renault e Nissan, sendo responsável por 40,43% das 238,3 mil unidades emplacadas pelas duas fábricas nesse período. A empresa também revelou, no mesmo documento, que a aquisição faz parte da estratégia de crescimento.

Pente fino no cartel
Desde 2016, o Cade está de olho no bilionário setor de transporte de veículos novos. Um inquérito administrativo está em andamento, prejudicado pela pandemia. No procedimento, o órgão antitruste convocou a grande maioria das montadoras instaladas no país a prestar esclarecimentos sobre a sistema de escoamento da produção. Renault e Nissan apresentaram as respostas em grande parte com dados de acesso restrito. Ao Ministério Público do Rio de Janeiro, no entanto, a Nissan informou que não realizava contratação de novos transportadores por temer a ações de retaliação e pela segurança de seus colaboradores. A montadora também informou que das quatro transportadoras que operam na planta, apenas uma possui contrato formal, o qual encerra seus efeitos legais em primeiro de janeiro do próximo ano.

Em outubro do ano passado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Pacto, tendo como alvo de buscas e apreensões empresas dos grupo Sada e Tegma, além de outra localizada na Bahia e a sede do Sindicato de Cegonheiros do Espírito Santo. A ação foi desenvolvida em parceria com o Cade e com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo (SP). Dados coletados comprovam que há uma organização criminosa especializada na divisão de mercado, impedindo a livre concorrência e causando prejuízos por conta de superfaturamento nos valores cobrados a título de frete de até 40%.