Novo racha no Sintravers expõe tentativa de controle por integrantes de sindicato paulista condenado por formação de cartel

A eleição para comandar o Sindicato dos Cegonheiros do Rio Grande do Sul (Sintravers) pelos próximos quatro anos, programada para os dias 8 e 9 de outubro, reedita o racha surgido em 2016. Divide associados. Alguns demonstram temor frente ao que seria um iminente controle por parte de paulistas. Outros acreditam que poderão perder a fatia destinada à Júlio Simões. A disputa tem duas chapas inscritas lideradas por dois ex-amigos inseparáveis de longos anos. A Sindicato Forte em Suas Mãos (chapa 1) apresenta para a reeleição o atual presidente Jefferson de Souza Casagrande. A Unidade na Luta (chapa 2) traz o ex-presidente Silvio Dutra como candidato. Unidos, os dois estiveram à frente da denúncia de formação de cartel no setor de transporte de veículos novos, feita em 2000 ao Ministério Público Federal gaúcho. A consequência, 16 anos depois, foi a condenação da General Motors do Brasil, do Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sinaceg, ex-Sindicam), da Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV) e do ex-diretor da GM Luiz Moan Yabiku Júnior.

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De acordo com alguns associados ouvidos pelo site Livre Concorrência, um possível controle por parte de filiados do Sinaceg está sendo orquestrado por meio da candidatura da chapa 2, que possui pelo menos nove nomes inscritos vinculados diretamente ao sindicato paulista. A acusação é rebatida pelo ex-presidente Silvio Dutra. Para ele, os nomes indicados para compor a chapa estão amparados pelo estatuto da entidade:

“Pertencem ao sindicato, são associados, contribuem mensalmente e possuem seus direitos. Se contribuem e são sócios, por qual motivo não podem votar ou serem votados? A atual diretoria teve quatro anos para promover a inscrição deles e não o fez. Deveria, isso sim, se recusar a receber suas contribuições, mas não. Essas mensalidades entram no cofre do sindicato. E mais: todos prestam atividade econômica no Rio Grande do Sul. Por isso, tenho convicção de que estão absolutamente dentro do que prevê e exige o estatuto.” 

Essa não é a primeira vez que surgem rumores de que integrantes do Sinaceg atuam diretamente para influenciar a eleição no sindicato gaúcho. Há quatro anos, um dos diretores da entidade paulista, Gilmar Donizete da Silva, mais conhecido como Mexicano, participou de atos de campanha do atual presidente Jefferson Casagrande. A foto de abertura mostra Casagrande (Bolinha) dividindo o palco com o Mexicano.

Nessa eleição que se aproxima, os rumores indicam que esse apoio estariam sendo direcionado para a campanha do ex-presidente Silvio Dutra. Das fontes consultadas pelo site Livre Concorrência – ninguém quer assumir publicamente -, argumentam que a intenção clara é a de controlar de alguma maneira a entidade gaúcha, tendo como um dos principais objetivos criar embaraços para a Júlio Simões que presta serviços à General Motors e recentemente adquiriu a Transmoreno, ingressando no escoamento da produção da Renault e da Nissan.

Retorno às atividades
Em setembro de 2018, o Sinaceg apresentou queixa ao Ministério Público Federal de São Bernardo do Campo (SP) contra o que seria notícias inverídicas publicadas pelo site Livre Concorrência. No documento encaminhado ao procurador Steven Shuniti Zwicker, a entidade afirmou que por conta das notícias, o diretor Gilmar Donizete da Silva (foto abaixo) havia se “afastado” temporariamente. Tido no meio dos cegonheiros como articulador político sindical, agora Mexicano, como é conhecido, surge como candidato ao mesmo cargo de diretor na chapa liderada por Aliberto Alves à presidência do sindicato paulistano.

Alves foi condenado pela Justiça Federal por formação de cartel. O processo está suspenso condicionalmente, mas ele precisa se apresentar regulamentar à Justiça para prestar contas da atividade e não pode se afastar do município onde mora por mais de 30 dias, sem autorização do juízo. Ele também paga multa acordada com o MPF em 24 parcelas. Em outra ação penal movida pelo Gaeco de São Bernardo do Campo, Alves é réu junto com outras 11 pessoas. A acusação é formação de cartel e de quadrilha.

O atual presidente Casagrande não quis se manifestar, preferindo dizer apenas que é candidato à reeleição. No sábado à noite, o candidato Silvio Dutra afirmou que ingressou com um pedido de impugnação da candidatura de Casagrande, por não atender ao que estabelece o estatuto, principalmente quanto ao tempo de atividade econômica exigido, de um ano.