Integrantes do Sinaceg oferecem “pagar proventos mensais” para atual presidente do Sintravers não concorrer à reeleição

A disputa eleitoral pela direção do Sindicato dos Cegonheiros do Rio Grande do Sul (Sintravers) ganhou novo ingrediente. A tentativa de tomar de assalto a entidade gaúcha – a exemplo do que ocorreu no Paraná – foi confirmada pela oferta de pagamento “mensal de proventos” (cerca de R$ 10 mil) para que o atual presidente, Jefferson de Souza Casagrande (Bolinha), não disputasse a eleição programada para os dias 8 e 9 de outubro. Uma espécie de fritura branca paulistana. Dois integrantes do Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sinaceg, ex-Sindicam) – entidade condenada por formação de cartel no setor de transporte de veículos novos – estiveram na casa de Bolinha (foto de abertura) para fazer a oferta, segundo uma fonte confidenciou ao site Livre Concorrência.

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Pelo menos um deles é diretor do Sinaceg e concorre à reeleição na chapa liderada por Aliberto Alves, também condenado em ação penal por formação de cartel. O outro é associado, mas da mesma forma exerce a atividade informal de “emissário”. O presidente confirmou o encontro, mas não quis revelar os nomes:

“Me disseram com todas as letras: ou você compõe a chapa com o Silvio e fica lá no final (sem cargo representativo) ou não concorre e a gente garante o pagamento dos teus proventos”.

O chefe paga
Bolinha ressaltou que os emissários não mencionaram, em momento algum, o nome do Sinaseg, mas mencionaram de forma recorrente um tal “chefe”:

“Disseram que quem pagaria (os proventos) seria o chefe. O tempo todo falavam no chefe.”

O atual presidente contestou as afirmações do ex-presidente e candidato da Chapa 2, Silvio Dutra. Segundo Bolinha, o pessoal que ingressou como “associado contribuinte” chegou ao sindicato na gestão de Silvio Dutra. O atual presidente enfatizou:

“Quem deveria ter promovido o cadastramento desses associados contribuintes é o Silvio.”

Bolinha se referiu aos cerca de 3 mil cegonheiros que contribuem mensalmente para o Sintravers, mas são também associados ao Sinaceg. Esse cadastramento, para Bolinha, representaria o fim da autonomia do Sintravers:

“Perderíamos a independência. Somos parceiros em algumas questões, mas temos de garantir a independência da entidade e dos nossos associados.”

Bolinha explicou:

“Se aceitarmos o que estão propondo estaremos entregando o sindicato às forças maiores.”

O atual presidente não quis deixar claro quais forças seriam essas, mas deu a entender que se trata do sindicato paulista. Bolinha alertou para os riscos dessa aliança:

“Estaremos perdendo nossa independência. Não digo que não somos parceiros dessas forças maiores em algumas ocasiões, mas nunca mais poderemos dizer não. Estaríamos entrando no esquema (de cartelização) e não teria mais como reverter a situação.”

E acrescentou:

“Não concordo com essa situação. E a maioria dos associados com quem tenho conversado também não concorda.”

Voltando à questão dos associados contribuintes filiados ao Sinaceg, Bolinha frisou não entender por qual motivo o agora adversário Silvio Dutra não fez o devido cadastramento na sua gestão e preferiu “empurrar para o sucessor”.

Denúncia de formação de cartel
Foi no ano de 2000 que Jefferson de Souza Casagrande e Silvio Miguel Coelho Dutra (ambos integrantes da diretoria do Sintravers) denunciaram ao Ministério Público Federal gaúcho a existência de cartel no setor de transporte de veículos novos. Como resultado, a General Motors do Brasil, o Sinaceg (ex-Sindicam), a Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV) e o diretor da montadora norte-americana, Luiz Moan Yabiku Júnior, foram condenados por formação de cartel.

Como desdobramento surgiu ação penal na qual foram condenados pelo mesmo crime: Luiz Moan, Aliberto Alves (então presidente do Sinaceg) e Paulo Roberto Guedes (à época presidente da ANTV). Além de pagarem multa em 24 parcelas, Alves e Guedes precisam se apresentar à Justiça regularmente para comprovarem atividade econômica. Também por um período de dois anos, não podem se ausentar da comarca onde residem por mais de 30 dias sem autorização da Justiça Federal.