Condenado por formação de cartel será aclamado vice-presidente do Sinaceg

Mesmo com alto grau de agressividade constatado pela Justiça Federal em sentença condenatória, Aliberto Alves deverá ser o novo vice-presidente do Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sinaceg, ex-Sindicam). Ele vai ser aclamado junto com José Ronaldo Marques da Silva (Boizinho), que será o presidente, pelos cegonheiros-empresários filiados à entidade, que também foi condenada por formação de cartel. O fato é consequência da apresentação de chapa única para a próxima eleição. O prazo para que outros candidatos manifestassem interesse em concorrer expirou no último dia 30. Alves também é réu em ação penal movida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), acusado de formação de cartel e de quadrilha. Outros 12 réus ligados ao setor de transporte de veículos novos engrossam a lista dos acusados.

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A entidade considerada pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal como braço político e sindical da organização criminosa que controla com mãos de ferro o setor terá na vice-presidência um réu condenado com “traços negativos de personalidade e de conduta social”, segundo afirmou a juíza Eloy Bernst Justo (já falecida). O perfil violento dele consta na sentença que o condenou a cinco anos e três meses de reclusão. Junto com ele, foi condenado Paulo Roberto Guedes, ex-presidente da Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV). Alves fez acordo com o MPF, autor da ação penal, para a suspensão condicional do processo, pelo qual se comprometeu a pagar multa em 24 prestações e a apresentar-se à Justiça regularmente para prestar esclarecimentos sobre sua atividade profissional. Ele também está proibido de afastar-se da comarca onde reside por mais de 30 dias sem autorização da Justiça.

Na sentença que contou com mais de três dezenas de recursos (nenhum alterou a decisão), a magistrada afirmou que Alves foi descrito como uma pessoa com alto grau de agressividade. O perfil do agora futuro presidente do Sinaceg foi assim mostrado:

“O emprego de meios intimidatórios para pressionar concorrentes e os atos de represálias intentados contra quem ousasse contrariar os interesses da minoria que representava denotam personalidade com alto grau de agressividade e com tendência a práticas infracionais, vindo repercutir em desabono à sua conduta social. O réu provocou graves lesões à livre concorrência, à liberdade de iniciativa e à economia nacional.”

Para a juíza, as provas contra o réu confirmam a existência do cartel que ainda controla o setor de transporte de veículos novos no País:

“O acusado Aliberto Alves desempenhou papel de suma importância frente ao concerto efetivado, atuando como elo entre a ANTV e o Sindicam (atual Sinaceg) e implementando medidas visando à dominação do mercado e à constante elevação dos preços dos fretes, incluindo punições para motoristas filiados ao sindicato que tentassem prestar serviços para empresas não filiadas à ANTV e ameaças de retaliação às empresas filiadas à ANTV que transportassem veículos a preços abaixo da tabela imposta.”

Acusação do Gaeco
Em outra ação penal que aguarda sentença do juiz da 5ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo, Aliberto Alves também é réu. Ele e outros 12 integrantes do chamado cartel dos cegonheiros foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo (SP) por abuso de poder econômico, dominação de mercado, eliminação total ou parcial de concorrência, fixação artificial de preços, formação de cartel e associação criminosa.

Os promotores de São Paulo investigaram e comprovaram nos autos que o grupo atuou em conjunto e com unidade de propósitos, concertadamente, ao longo de anos, para manter uma reserva de mercado no setor apenas às empresas filiadas à ANTV, criando, com o auxílio do SINDICAN, por intermédio de seu presidente Aliberto Alves, barreiras artificiais à entrada de novos concorrentes no setor.

Omissão
O site do Sinaceg – sindicato paulista que se autointitula nacional – não traz uma única linha sobre o processo eleitoral que se aproxima.