Caminhões-cegonha a serviço da Sada sofrem atentados. Incêndios criminosos acontecem há décadas sem solução

Os incêndios criminosos em caminhões-cegonha acontecem há décadas em vários estados. Apesar do esforço de algumas autoridades, por conta da ausência de medidas coercitivas eficazes, continuam sendo arma de pressão utilizada por vândalos travestidos de empresários-cegonheiros contra o ingresso de novos agentes no mercado ou para demonstrar força às montadoras, evitando possíveis alterações no escoamento da produção dos veículos zero quilômetro produzidos no país.

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A Polícia Federal tem nome, endereço e CPF de alguns dos principais líderes da organização criminosa que controla o setor. Na noite de 17 de outubro, novo incêndio criminoso atingiu oito carretas (como são chamadas), queimando mais de 100 veículos, a maioria da marca Fiat-Jeep em Goiana (PE). Os equipamentos estavam no pátio da Sada Transportes e Armazenagens. A Polícia Civil está investigando o ataque. O alinhamento da expressiva maioria das montadoras de veículos ao chamado cartel dos cegonheiros pode ser uma das respostas para os constantes incêndios criminosos. Nenhuma delas, que têm seus veículos atacados antes de chegarem à rede de concessionários, fala sobre o assunto, numa demonstração de conivência com os atentados violentos. Neste caso específico, a FCA-Fiat-Jeep limitou-se a lamentar o episódio, acrescentando esperar que as autoridades esclareçam os fatos.

Os criminosos usaram vários artefatos (duas garrafas PET cheias de gasolina, amaradas a uma esponja, também encharcada de gasolina,) interligados por uma corda igualmente encharcada de gasolina. O pavio conecta os artefatos ao tanque de combustível do caminhão cegonha (foto de abertura).

Em fevereiro deste ano, outro ataque criminoso aconteceu em São Bernardo do Campo, quando 15 caminhões-cegonha carregados que estavam estacionados num dos pátios que seria da Brazul Transporte de Veículos (empresa do mesmo grupo Sada). Noventa e cinco veículos foram destruídos totalmente. A Polícia Civil instaurou inquérito, mas até agora nenhum responsável foi indiciado. Empresários-cegonheiros filiados ao Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (SInaceg, ex-Sindicam) reuniram-se em assembléia e decidiram contribuir com R$ 2.500,00 cada um  – cinco parcelas de R$ 500,00 – para cobrir os prejuízos sofridos no incêndio por “colegas”. No total, são 3,7 mil frotistas no rateio.