Desrespeito à “ordem” de facção do transporte de carros usados pode ser o estopim de novos incêndios criminosos

O transporte de veículos usados feito por empresários-cegonheiros que prestam serviços às maiores montadoras do país virou alvo da série de incêndios criminosos que voltaram a atingir caminhões-cegonha em vários estados. Grupo denominado informalmente como “sem-terra’’ já revelou descontentamento com a atitude dos transportadores ligados ao cartel dos cegonheiros. Há comentários de que o grupo seria uma espécie de “facção”. Pelo aplicativo WhatsApp, mensagens alertaram que a “ordem dada” é para que empresas que transportam veículos zero quilômetro parassem de realizar fretes de veículos usados até 14 de setembro.

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Segundo fontes consultadas pelo site Livre Concorrência, alguns cegonheiros-empresários que transportam veículos zero quilômetro, agregados à Sada Transportes e Armazenagens, não acataram a “determinação” e estão trazendo, de retorno, carros usados “a preço de banana”, tirando o serviço de quem só transporta usado. A revolta seria o principal motivo das represálias.

Na noite do último dia 2, um caminhão-cegonha agregado à Sada Transportes e Armazenagens foi incendiado no posto Túlio. localizado às margens da BR-101, no município de Osório (RS). Onze veículos zero quilômetro, segundo o motorista Edivaldo Serpa França, natural de Betim (MG), foram totalmente destruídos, causando um prejuízo estimado em R$ 800 mil. É o que consta no Boletim de Ocorrência registrado na delegacia de Polícia local. O motorista também disse acreditar que o incêndio foi criminoso, pois diversos veículos de transporte de sua empresa (Sada) vem sendo incendiados da mesma forma por bandidos nas últimas semanas. Inquérito será aberto para apurar o crime.

No município de Messias, Região Metropolitana de Maceió (AL), na madrugada de 28 de outubro, os bandidos foram mais audaciosos, segundo relato do motorista. Eles pararam dois caminhões-cegonha. Obrigaram, sob ameaça, os motoristas a descerem e atearam fogo nas cargas, queimando todos os veículos transportados da marca Jeep, oriundos da fábrica de Goiana (PE). Os caminhões-cegonha também são agregados à Sada Transportes e Armazenagens. O prejuízo foi calculado em aproximadamente R$ 2,5 milhões. 

Polícias continuam investigando
A Polícia Civil de São Paulo e de Pernambuco continuam investigando as causas e tentando identificar os responsáveis pelos incêndios criminosos em caminhões-cegonha, mas os inquéritos andam lentamente. No final do mês de fevereiro deste ano, 25 carretas (como são chamadas as cegonhas) de empresários-cegonheiros carregados de veículos novos, foram incendiadas criminosamente num pátio de São Bernardo do Campo (SP), nas proximidades da empresa Brazul Transporte de Veículos, de propriedade do grupo Sada. Até agora a Polícia não concluiu o inquérito. Outro fato ainda em investigação é o incêndio em caminhão-cegonha ocorrido na noite de 13 de setembro, no pátio da empresa Transzero, integrante do mesmo grupo Sada.

No pátio da Sada Transportes e Armazenagens localizado no município de Goiana (próximo da fábrica da FCA-Fiat-Jeep), em Pernambuco, oito caminhões-cegonha também foram incendiados criminosamente, na madrugada de 17 de outubro. Exatamente um ano depois de deflagrada a Operação Pacto, da Polícia Federal, Gaeco e Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. Alguns veículos usados foram vistos nas fotos divulgadas nas redes sociais. Cerca de 100 veículos foram totalmente destruídos. A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso. A Fiat apenas lamentou o ocorrido e ressaltou esperança de que as autoridades possam esclarecer os fatos.