Empresa do novo presidente do Setcergs teve 32 caminhões-cegonha incendiados criminosamentE

O presidente eleito do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), empresário Sérgio Mário Gabardo, assume em janeiro o comando da segunda maior entidade do setor no país. Honrado pela responsabilidade delegada pelos colegas, Gabardo, ao lado da nova diretoria, prometeu empenhar-se na condução do sindicato que já soma mais de seis décadas de representação e de bons serviços prestados à categoria e à sociedade.

Publicidade: confira aqui o conteúdo do site Debate Jurídico

A trajetória de Gabardo no transporte de veículos novos é marcada pela violência. Disputar cargas com a associação criminosa (segundo a Polícia Federal, Ministério Público Federal e Gaeco-SBC) que controla o setor custou-lhe mais de trinta caminhões-cegonha. Os veículos foram incendiados criminosamente por integrantes do chamado cartel dos cegonheiros.

A violência contra o patrimônio e funcionários da Gabardo foi a forma que a associação criminosa que controla os fretes de veículos novos no país encontrou para desencorajar a determinação do empresário gaúcho de disputar cargas de montadoras atendidas a décadas pelo cartel, oferecendo alta qualidade técnica e preços competitivos. A pressão não funcionou.

Nessa luta pela defesa da livre concorrência e contra fixação artificial de preços de fretes e divisão de mercados, Gabardo também perdeu o filho. Mário Gabardo, aos 20 anos, foi assassinado a tiros em um cruzamento, em um momento em que cartel recrudescia as represálias contra os avanços obtidos pela transportadora gaúcha. Quinze anos depois o crime ainda não foi elucidado. Outro episódio que marcou a busca de novas oportunidade ocorreu na montadora Iveco. Um apedido publicado em jornal, firmado por cegonheiro vinculado ao cartel, acusou a empresa gaúcha de transportar mercadorias proibidas, o que não foi comprovado em ação judicial. O imediato resultado foi o descredenciamento da Transportes Gabardo da Iveco.

Desde o início da década, a empresa de Gabardo sofreu uma forte represália do cartel dos cegonheiros. Numa jogada ensaiada com o cartel, a montadora Renault do Brasil, que tem fábrica em São José dos Pinhais (PR), rompeu o contrato com a empresa gaúcha – até então considerada uma das melhores no escoamento da produção dos veículos da marca Renault.

O episódio mais marcante envolvendo a Gabardo ocorreu em outubro de 2018, quando a transportadora venceu uma cotação de preços para realizar o transporte de veículos na nova fase da montadora Caoa-Chery, em Jacareí (SP). Anteriormente, o escoamento da produção era feito por empresas ligadas ao cartel dos cegonheiros. Mais de uma dezena de caminhões-cegonha da Gabardo, incluindo terceirizados, foram incendiados criminosamente.

Houve, inclusive, ameaças e tentativa de assassinato. Um inquérito instaurado na Polícia Civil local ainda não apontou responsáveis. Pelo mesmo motivo, na filial do Rio de Janeiro da empresa gaúcha, oito cavalos mecânicos da marca Volkswagen foram incendiados criminosamente de uma única vez. Segundo levantamento do site Livre Concorrência, nesse período, a Transportes Gabardo teve 32 conjuntos destruídos em atentados. Ninguém foi responsabilizado pelas autoridades.

Na foto de abertura, Gabardo aparece ao lado do atual presidente João Jorge Couto da Silva.

Foto: Divulgação/Setcergs