As promessas não cumpridas pela entidade paulista se transformaram no estopim da relação

O principal motivo do acirramento das desavenças entre as duas entidades patronais (ambas representam empresários cegonheiros) é a chamada promessa de liberação de frotas para transportadores terceirizados (distribuição ilegal de vagas). Micros e pequenas empresas que “ganham” o direito a participar do escoamento da produção, neste caso, na fábrica gaúcha da GM.  Segundo Casagrande, há mais de oito anos, houve o compromisso, por parte dos paulistas, de concederem 39 novas vagas a empresas filiadas ao Sintravers, mas somente 14 foram efetivas, restando 25 que até hoje não tiveram liberação.

Publicidade: confira aqui o conteúdo do site Debate Jurídico

Sobre as vagas pendentes, Casagrande explicou:

“O senhor José Ronaldo Marques (Boizinho), assumiu o compromisso perante a mim, ao senhor Silvio Miguel Coelho Dutra, senhor Thiago Thompson, senhor José Carlos Volpato e senhor Cassius Gutierres, que após a eleição de 2012, seria acertado essas pendências.”

Boizinho era o presidente do Sinaceg na época, sendo sucedido por Jaime Ferreira dos Santos. Atualmente, ele é vice-presidente, já eleito presidente para o próximo mandato. Silvio Dutra foi presidente do Sintravers antes de Casagrande. Recém empossado para um novo mandato, Casagrande continua à frente do Sintravers. 

A promessa, segundo algumas fontes consultadas pelo site Livre Concorrência, teve origem quando o Sintravers, em reunião ocorrida na cidade de São Bernardo do Campo, em 12 de julho de 2011, se comprometeu a “envidar esforços” para que a Ação Civil Pública (que condenou, por formação de cartel a General Motors do Brasil, Luiz Moan Yabiku Júnior, o Sinaceg e a Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos, ANTV), terminasse num “bom termo”, o que não aconteceu. Os quatro réus foram condenados, cinco anos mais tarde.

No item 5 (cinco) da Ata, cuja cópia (foto de abertura) o site Livre Concorrência teve acesso, é estabelecido:

“Que a instituição Sintravers é sabedora de que a partir da data em que foram as frotas inseridas, se compromete a colaborar para que a ação judicial existente no Rio Grande do Sul, tenha fins pacíficos e conciliador entre as partes Sintravers e Sindicam.”

O Sindicam transformou-se em Sinaceg.