Carta de Casagrande revela que cobrador do Sintravers foi ameaçado de morte em reunião com o presidente do Sinaceg

Uma correspondência datada do dia 3 de novembro, assinada pelo presidente do Sindicato dos Cegonheiros do Rio Grande do Sul (Sintravers), Jefferson de Souza Casagrande, revela que um “cobrador” da entidade foi ameaçado de morte em reunião com o presidente do Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sinaceg, ex-Sindicam), Jaime Ferreira dos Santos. “ Nos informou [o cobrador] que foi ameaçado de morte na reunião, inclusive lhe sendo exibido uma arma de fogo, seguido também de ameaças à minha pessoa, onde fui chamado de picareta”, escreveu Casagrande.

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O documento, que o site Livre Concorrência teve acesso com exclusividade, foi enviado às transportadoras que operam na planta da General Motors do Brasil em Gravataí (RS) e ao sindicato paulista. Revela, ainda, o mesmo documentos, as entranhas de uma relação questionável onde quantias em dinheiro seriam enviadas a pelo menos uma das transportadoras de São Paulo, de acordo com o relato, de maneira não convencional por mensageiros.

No texto assinado pelo líder sindical é recordado o encontro ocorrido no ano de 2011, com o então diretor da Brazul Transporte de Veículos, já falecido: Ele “nos chamou para levantarmos uma determinada quantia para pagar algumas pendências. Deste fato, todos têm conhecimento do que se trata, bem como a pessoa que veio buscar a referida quantia, tendo em vista que essa situação não era de responsabilidade do Sintravers”. Procurado pelo site Livre Concorrência, Casagrande não quis dizer o valor dessa quantia e sequer o nome do mensageiro paulista que levou o dinheiro.

Cabe lembrar que em 2015, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em São Bernardo do Campo instaurou Procedimento Investigatório Criminal (PIC), em andamento até hoje. O objetivo, segundo o órgão especializado do Ministério Público paulista, é “apurar eventual prática de crimes de organização criminosa, ou associação criminosa, formação de cartel, falsos documentais e tributários e lavagem de dinheiro, cometidos desde o ano de 2011 até a presente data, no município de São Bernardo do Campo/SP, por exploradores de transporte de veículos novos a serem identificados”.

Relação com o cobrador
Ao site Livre Concorrência, Casagrande preferiu não falar sobre a relação com o “cobrador” chamado Anderson. Limitou-se a informar que “ele tem uma empresa de cobrança em Canoas”, cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre (RS). Na correspondência, no entanto, o presidente do sindicato gaúcho afirma que participou de várias reuniões na própria sede da entidade.

“Fui acusado infundadamente de estar enviando um cobrador chamado Anderson para tratar desse assunto. Antes de tudo, cumpre esclarecer que essa pessoa me procurou e disse estar representando cinco pessoas que supostamente têm o direito a ser contemplado.’’

Em seguida, Casagrande afirma que “até que o mesmo me procurasse, não sabia de quem se tratava e muitos foram os contatos dele dentro da nossa entidade na presença de várias pessoas e inúmeras vezes”. 

Sem precisar a data, o presidente do Sintravers argumentou: “Em um dado momento, o então presidente do Sinaceg, senhor Jaime, disse para nos dirigirmos a São Bernardo do Campo e como eu avisei o senhor Anderson que fomos chamados, este veio ao meu encontro e disse a forma como iria fazer a negociação. Não me senti à vontade em irmos junto. Imediatamente liguei para o presidente [Jaime] dizendo os motivos pelo qual não iríamos e ao final restou acertado que ele iria sozinho.”

Sobre o retorno do “cobrador”, Casagrande escreveu:

‘Quando o cobrador retornou de São Bernardo do Campo, fui procurado por ele em uma reunião no Sintravers (reunião essa gravada por meio de áudio e vídeo), nos informou que foi ameaçado de morte na reunião, inclusive lhe sendo exibido uma arma de fogo, seguido também de ameaças à minha pessoa, onde fui chamado de picareta.”

Casagrande não informou por qual motivo a ameaça não foi registrada nos órgãos de segurança pública competentes. Procurado pelo site Livre Concorrência, o Sinaceg encaminhou nota.

O site Livre Concorrência esclarece que colocou uma tarja no nome do executivo já falecido, para preservar suas identidade e memória.