Cobrador diz que Casagrande não entregou vagas vendidas em 2012 por R$ 1,2 milhão. E afirma: “Não fui ameaçado”

O tesoureiro – em 2012 – do Sindicato dos Cegonheiros do Rio Grande do Sul (Sintravers), Jefferson de Souza Casagrande, o Bolinha, vendeu seis vagas de transportador de veículos por R$ 200 mil cada uma – totalizando R$ 1,2 milhão – e até hoje não as entregou. A chamada “vaga” se refere ao direito do transportador participar do escoamento da produção da fábrica da General Motors em Gravataí (RS). A afirmação foi feita por Anderson Marquardt, em correspondência registrada em cartório e encaminhada ao site Livre Concorrência, com exclusividade. Proprietário de uma empresa de cobrança localizada em Canoas, município da Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), Marquardt rebateu as informações divulgadas pelo atual presidente da entidade gaúcha de que teria sido ameaçado, inclusive com arma de fogo, em reunião na sede do Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sinaceg).

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Ele escreveu:

“Houve uma discussão acalorada, mas não fui ameaçado de morte e também não houve uso de arma de fogo. Isso é mentira de Casagrande.”

Segundo Marquardt, ele representa cinco clientes que adquiriram as vagas no ano de 2012, quando Casagrande era tesoureiro do Sintravers. Um deles, comprou duas. Ele revelou:

“O dinheiro foi entregue em mãos ao Jefferson Casagrande, por cada um dos meus clientes. Bolinha  se comprometeu que, num futuro bem próximo, eles (os compradores) seriam contemplados com uma frota não especificada de cegonha”.

O empresário contou que por diversas vezes os seus contratantes cobraram as referidas vagas diretamente de Casagrande:

“Sem nenhum êxito. Somente com promessas, as quais nunca foram cumpridas. Há dez meses procuraram minha empresa para que cobrasse exclusivamente o senhor Jefferson Casagrande. Em momento algum fui contratado para cobrar qualquer outra parte, pessoa física ou jurídica, que não fosse o senhor Casagrande.”

Dívida passa dos R$ 3 milhões
Pelos cálculos de Marquardt, a dívida, atualizada com juros e correção monetária legais, já ultrapassa os R$ 3 milhões:

“Vou ajuizar a cobrança judicial e encaminhar denúncia criminal ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, que já investiga o setor. Desde que meus clientes me contrataram já se passaram 10 meses. Durante esse período, Casagrande começou a querer dividir a responsabilidade com outras pessoas e empresas, mesmo eu sendo sempre direto e pontual sobre o fato de que a minha tarefa era de cobrá-lo.”

Foi a partir de tentativa de Casagrande dividir responsabilidade, segundo Marquardt, que houve a marcação de reunião na sede do Sinaceg, em São Bernardo do Campo (SP).

“Após muita insistência de Bolinha (tenho áudio enviado por ele no dia 24 de junho), fui convencido a ir com ele à reunião. Disse-me que tentaria um acerto com a diretoria de São Paulo. No decorrer da semana da reunião, no entanto, Casagrande se mostrou indisposto para viajar. Me coloquei à disposição para ir, sempre na defesa do interesse dos meus clientes para resolver a questão.”

O encontro na sede do Sinaceg, que contou com a presença do presidente Jaime Ferreira dos Santos e de outros diretores, ocorreu às 15 horas do dia 30 de junho, segundo relato de Marquardt.

“Expus o assunto e me foi colocado o que já esperava, que eles não tinham nenhum conhecimento dos fatos, e que o sindicato de São Bernardo do Campo não tinha qualquer tipo de envolvimento com o ocorrido”.

A informação passada por Casagrande de que Marquardt foi ameaçado – inclusive com a exibição de arma de fogo – não corresponde à verdade.

Ele destacou:

“É infundada e mentirosa. Jamais ameacei ou fui ameaçado por alguém, até porque sempre tive a convicção passada para mim por meus clientes que só existe um devedor.”