Operação Pacto foi gestada depois de “apelo” da Transilva ao ministro Alexandre de Moraes

A Operação Pacto deflagrada em 17 de outubro de 2019 foi gestada depois de um “apelo” feito pela Transilva Transporte e Logística, que tem sede em Vitória (ES), ao ministro da Justiça Alexandre de Moraes, em novembro de 2016. Antes, a empresa capixaba, que há alguns anos enfrentava protestos violentos promovidos por cegonheiros-empresários ligados à associação criminosa que controla o setor e ao sindicato patronal da categoria, o Sintraveic-ES, havia apresentado denúncia ao Ministério Público Federal de São Bernardo do Campo (SP). Em documento que o site Livre Concorrência teve acesso com exclusividade, a Transilva chegou a pedir ao MPF a prisão de pelos menos 20 cegonheiros-empresários que, segundo a queixa, tinham participação ativa nos incêndios criminosos em mais de 15 caminhões-cegonha de propriedade da empresa.

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Ao ministro da Justiça, a Transilva encaminhou documento contendo 445 páginas, no qual relatou toda a sorte de atentados a que estava sendo submetida, incluindo fotos e vídeos, além de mensagens do aplicativo WahtsApp. Ao tomar conhecimento do conteúdo da denúncia, o ministro solicitou investigação por parte da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria Nacional de Segurança Pública e ao próprio Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Menos de dois anos depois, policiais federais, acompanhados de representantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo (SP) e do Cade, utilizando  mandado judicial, vasculharam as sedes das empresas Tegma Gestão Logística, Brazul Transporte de Veículos (empresa do grupo Sada), Transcar e nos escritórios do Sintraveic-ES.

O principal motivo que acirrou os ânimos entre o cartel dos cegonheiros e a empresa capixaba, foi a conquista da logística e transporte dos veículos da marca Kia, ocorrida em agosto de 2016. Anteriormente, esse escoamento era dividido entre as transportadoras. Os atentados levaram a Transilva, inicialmente, a representar no MPF de SBC. Recomendações foram expedidas pelo órgão ministerial, mas não surtiram efeito prático, o que levou a empresa capixaba a recorrer ao ministério da Justiça. De uma só vez, 11 caminhões-cegonha foram incendiados criminosamente na frente da sede da empresa, em Vitória. Ninguém foi responsabilizado.