Transportadoras do cartel acatam todas as ordens de entidades patronais

As transportadoras vinculadas ao chamado cartel dos cegonheiros acatam todas as ordens dos sindicatos patronais da categoria. A comprovação acontece no momento em que associados do Sindicato dos Cegonheiros do Espírito Santo (Sintraveic-ES) denunciam a cobrança irregular de valores que consideram “abusivos” e até “extorsivos”. Os descontos estão sendo feitos diretamente da folha de pagamento dos fretes realizados pelos cegonheiros-empresários.

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Eles também dizem que o sindicato tem poder de bloquear carregamentos de associados que não queiram acatar a determinação de concordar com o desconto de 10% sobre o faturamento bruto. Mesmo que o cegonheiro-empresário manifeste sua contrariedade com o desconto, ele permanece ativo. No demonstrativo de pagamento, a Tegma Gestão Logística identifica como “assembleia de 02.07.2020” a nomenclatura para definir o desconto. Procurada, a transportadora não quis se manifestar, preferindo silenciar. 

Nos lamentáveis episódios violentos ocorridos no final de 2018 nas proximidades da fábrica da Chery, localizada na cidade paulistana de Jacareí, cegonheiros-empresários chegaram a “premiar” os manifestantes, com o salto de 10 posições na fila de carregamentos, também envolvendo cargas da Tegma. Numa clara demonstração de que os sindicatos controlam os carregamentos das transportadoras, liderenças chegaram a publicar no aplicativo WhatsApp, a oferta. Quem participar do movimento em Jacareí, permanecendo no local durante todo o dia, avançará 10 posições na fila de carregamento, dizia o texto.

A submissão das transportadoras extrapola até mesmo os limites do cartel dos cegonheiros. Num passado não muito distante, o Sindicato dos Cegonheiros do Rio Grande do Sul (Sintravers) chegou a determinar à empresa Júlio Simões a suspensão dos carregamentos de uma empresa filiada à entidade patronal gaúcha. A transportadora acatou a ordem oriunda do sindicato. O motivo foi uma desavença entre a associada (Beto’Car) e o presidente do Sintravers, Jefferson de Souza Casagrande.

Farra sindical
A verdadeira farra sindical feita com o dinheiro dos cegonheiros-empresários também está sendo denunciada por associados ao Sintraveic-ES. De acordo com eles, a transportadora Tegma é a encarregada pela entidade patronal para realizar os descontos. Segundo eles, além de contribuírem para o Sintraveic-ES, há a obrigatoriedade de pagar mensalidades para o Sinaceg (São Bernardo do Campo), Sindicato dos Cegonheiros do Rio de Janeiro (Porto Real) e  Sindicato dos Cegonheiros de Jacareí (São Paulo).