Tegma suspende descontos destinados ao Sintraveic-ES

Recursos seriam usados para defender cegonheiros-empresários acusados pela Polícia Federal de incendiar caminhões (foto de abertura) de transportadoras que não integram o cartel que controla o setor de transporte de veículos novos

A Tegma Gestão Logística suspendeu os descontos programados para o dia 30 deste mês, equivalente a 10% sobre o faturamento bruto dos cegonheiros-empresários ligados ao Sintraveic (ES). Uma decisão liminar concedida na sexta-feira (18) dava essa garantia apenas à empresa Transtavella & Bianconi Transportes, mas a transportadora – um dos alvos da Operação Pacto – tomou a iniciativa de impedir os descontos a todos os carreteiros terceirizados, vinculados à entidade patronal da categoria.

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A denúncia dos descontos ilegais foi divulgada com exclusividade pelo site Livre Concorrência, após receber informações de vários sindicalizados. Os recursos descontados de 60 associados totalizariam R$ 12 milhões e seriam utilizados para a defesa de cegonheiros-empresários vinculados ao Sintraveic (ES), acusados de promoverem incêndios criminosos em caminhões-cegonha de empresas concorrentes da Tegma e do grupo Sada- esta de propriedade do político e empresários Vittorio Medioli.

Ontem, a assistente jurídica Samanta Tavella – filha do ex-presidente do Sintraveic, Ivan Tavella, assassinado em novembro de 2011, num crime até hoje não-esclarecido pela Polícia – comemorou a atitude da Tegma, que suspendeu os descontos:

“Foi fruto do trabalho que fizemos junto com a Amanda (irmã) e a advogada Luana Santos de Souza, que ajuizou a ação com pedido de liminar de urgência, que foi acatada pela Justiça”.

Ela também destaca o fato de muitos outros associados ao Sintraveic defenderem a mesma idéia, mas que infelizmente, por receio de represálias, temem aparecer ou fazer um trabalho ostensivo contra esse abuso.

Cerca de 10 associados confirmaram que os descontos deixaram de aparecer na folha de pagamento programada para o dia 30. Em alguns casos, os 10% do faturamento bruto já estavam sendo visualizados nos comprovantes. Um associado que pediu para não ser identificado acrescentou:

“De um dia para o outro, esse desconto desapareceu.”

A Tegma já havia alterado a rubrica do desconto, de “assembléia 02.07.2020” para “Sintraveic – descontos diversos”.

O principal motivo alegado por um grupo de cegonheiros-empresários ligados ao Sitnraveic (ES) para se posicionar contra os descontos é o fato de a entidade alegar aprovação unânime à medida. Segundo eles, a assembleia nunca existiu. A prova foi acostada aos autos do pedido de liminar ajuizado pela Transtavella, que apresentou certidão cartorial comprovando a inexistência de registro da referida assembléia.

Esse mesmo grupo também se mostra contrário ao fato de que recursos da ordem de R$ 200 mil para cada associado (chegando a R$ 12 milhões) são exorbitantes, principalmente para a defesa de cegonheiros-empresários que respondem ações penais e indiciamento pela Polícia Federal.

Procurados pelo site Livre Concorrência, o Sintraveic, o seu presidente Waldelio Carvalho dos Santos – outro indiciado no inquérito 277/2010 da Polícia Federal e o advogado Rodrigo Ramos preferiram não se manifestar. A Tegma Gestão Logística, da mesma forma, optou pelo silêncio.