Montadoras livres do cartel dos cegonheiros pouparam R$ 250 milhões em 2020

Marcas subordinadas à organização criminosa que domina o transporte de veículos novos no país repassaram aos consumidores ágio de R$ 2,7 bilhões embutido nos fretes.  

Em 2020, as transportadoras independentes faturaram R$ 385,7 milhões. Ao todo, caminhões-cegonha dessas empresas embarcaram 147.343 veículos e comerciais leves comercializados no mercado interno entre janeiro e dezembro de 2020. Caso as cargas acima tivessem sido transportadas pelo cartel dos cegonheiros, o custo para as montadoras passaria de R$ 385,7 milhões para R$ 634,9 milhões. Desse total, R$ 253,9 milhões iriam parar nos cofres do cartel por conta de ágio de 40% cobrado pela organização criminosa que controla mais de 90% dos fretes realizados no país.

Das 23 montadoras que mais venderam no ano passado, apenas quatro marcas (Caoa/Chery, Caoa/Anápolis, Kia e Troller) não usaram os serviços prestados por empresas ligadas ao cartel dos cegonheiros. A Hyundai também prefere os serviços das transportadoras independentes. Apenas 30% dos veículos fabricados na planta da indústria coreana instalada em Piracicaba (SP) foi escoada por meio de empresas vinculadas ao cartel.

Para estimar o aumento do custo do frete no exemplo acima, o site Livre Concorrência aplicou a equação desenvolvida pelo Ministério Público Federal (MPF) para apurar o prejuízo imposto pelo cartel aos consumidores. O ágio de 40%, segundo levantamento da Polícia Federal no âmbito da Operação Pacto, decorre da falta de concorrência no setor.

Em 2020, o cartel dos cegonheiros acumulou em ágio R$ 2,7 bilhões. O valor é cobrado das montadoras e repassado integralmente aos consumidores de carros zero-quilômetro. Ao todo, as poucas empresas que controlam o setor receberem da indústria automotiva R$ 6,9 bilhões de janeiro a dezembro do ano passado.