Pandemia também prejudica investigação aberta pelo Cade

Já são dez pedidos de prorrogação do inquérito que apura os crimes contra a economia praticados pelo chamado cartel dos cegonheiros, desde que a Operação Pacto foi deflagrada. Os alvos são investigados por impedir o ingresso de novas empresas no setor e impor ágio da ordem de 40% no preço dos fretes de veículos novos. O cartel controla mais de 90% do mercado de caminhões-cegonha.    

Desde que o inquérito para investigar crimes contra a ordem econômica praticados no bilionário setor de transporte de veículos novos foi instaurado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Superintendência-Geral do órgão antitruste já pediu 20 vezes a prorrogação das apurações. As últimas dez ocorreram depois da Operação Pacto, deflagrada em 17 de outubro de 2019 – quando Polícia Federal, Cade e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo cumpriram mandados de buscas e apreensões em sedes dos grupos Sada, Tegma e Transcar, nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Um sindicato de cegonheiros com sede em Espírito Santo (Sintraveic-ES) também foi vasculhado. As ações policiais foram autorizadas pela Justiça.

O Cade investiga o setor desde fevereiro de 2016, quando recebeu denúncia informando que o sindicato de cegonheiros capixaba deixou de protocolar documento revelando atitudes suspeitas das empresas Tegma, Brazul (grupo Sada) e Transcar, em troca de vagas para transportador. De acordo com o documento, executivos das referidas transportadoras pressionavam líderes sindicais para exercerem paralisações violentas contra concorrentes.

Embora no órgão antitruste o processo seja eletrônico, as sucessivas prorrogações desde a deflagração da primeira fase ostensiva da Operação Pacto decorrem da necessidade de o Cade obter cópia do material apreendido na diligência coordenada pela Polícia Federal. Por tratar-se de processo físico, toda documentação apreendida está na comarca de São Bernardo do Campo (SP) e os agentes encarregados de examiná-la não possuem acesso. Os foros de todo o país estão fechados por causa da pandemia de Covid-19.