Polícia segue investigando incêndios criminosos ocorridos em pátio operado pela transportadora Brazul

Um ano e três meses depois dos ataques incendiários que queimaram 95 veículos novos e 25 caminhões-cegonha, a Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) de São Bernardo do Campo está ouvindo testemunhas e analisando resultado de laudos periciais.

Apesar do ritmo lento por conta da pandemia de Covid-19 que assola o país e sobretudo o Estado de São Paulo, a Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) de São Bernardo do Campo segue trabalhando para identificar e responsabilizar os criminosos que atearam fogo em 95 veículos novos embarcados em 25 caminhões-cegonha. O ataque ocorreu em 26 de fevereiro de 2020, em pátio operado pela Brazul, empresa do grupo Sada, cujo dono é o político e empresário Vittorio Medioli.

Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo informou:

“A unidade [Deic] está ouvindo testemunhas e analisando o resultado dos laudos periciais. Diligências estão em andamento para esclarecer os fatos.”

Especula-se que os ataques estão ligados a uma represália de cegonheiros afastados das transportadoras Tegma e Brazul. Os crimes também podem estar vinculados a uma disputa interna no Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo, o Sinaceg (ex-Sindicam).

Antes da conclusão dos laudos técnicos, já finalizados pelo Instituto de Criminalística (IC), as evidências de incêndio criminoso já tinham sido identificadas pelos soldados do Corpo de Bombeiros que atenderam à ocorrência naquela madrugada.

Na ocasião, o capitão Marcos Palumbo, porta-voz da corporação, revelou que foram encontrados dois pontos de origem do fogo. Isso, segundo ele, é um indício de que o incêndio possa ser criminoso, informou o site Agora São Paulo, do Grupo Folha de São Paulo.

O oficial esclareceu:

“Foram localizados dois pontos simultâneos, a uma grande distância um do outro. Em casos não criminosos [de incêndio], geralmente é identificado um ponto apenas.”

Sinaceg assumiu prejuízos
Vale lembrar que Sinaceg – já condenado por formação de cartel e considerado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal como o braço político e operacional da organização criminosa que controla com mãos de ferro o setor de transporte de veículos novos – decidiu assumir os prejuízos causados pelos ataques incediários. A entidade ficou de arrecadar R$ 7,4 milhões de 3.700 frotas, as quais se comprometeram em contribuir com R$ 2 mil cada uma, parceladas em quatro vezes de R$ 500, segundo informações do Sinaceg.