Elas são maioria em importantes espaços de tomada de decisão no Cade

Hoje as mulheres dominam o órgão antitruste. São elas que decidem sobre as fusões e aquisições e as investigações de condutas anticompetitivas mais relevantes para o país.

Desde 2018, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) tem desenvolvido e apoiado projetos para entender como uma análise sob o viés de gênero pode contribuir para a construção de políticas de concorrência mais eficazes. Isso culminou, em 2021, com o lançamento do projeto “Gender Inclusive Competition Policy”. Mostrando-se alinhada com essa influência, a Autoridade Brasileira de Defesa da Concorrência – o CADE – já conta hoje com maioria de mulheres em importantes espaços de tomada de decisão.

Na Superintendência-Geral, setor responsável pelo maior fluxo de demandas da atividade fim, a coordenação das atividades de combate a cartéis e de análise de atos de concentração é feita pelo gênero feminino. Das três coordenações incumbidas de investigações de cartel, duas são chefiadas por mulheres: Raquel Mazzuco (CGAA6) e Fernanda Machado (CGAA8). Nas coordenações com atribuição para análise de atos de concentração e condutas unilaterais elas também prevalecem em 3 dos 5 postos de chefia: Carolina Helena (CGAA1), Lilian Marques (CGAA2) e Patrícia Cabral (CGAA3). Tem ainda a superintende-adjunta Patrícia Sakowski, que responde por todas as coordenações de atos de concentração. São operações cujos valores somam cerca de 100 bilhões de reais por mês.

Na Presidência da instituição, mulheres ocupam os cargos de chefia de gabinete (Ana Luiza Mahon), da assessoria de comunicação (Juliana Somogyi), da assessoria internacional (Carolina de Andrade) e da Auditoria (Marcia da Rosa Pereira). A Diretoria de Administração e Planejamento também é liderada por uma mulher, Mariana Boabaid, que conta em sua equipe com outras duas mulheres nos cargos de chefia setorial de pessoas (Cristina Portela) e logística (Luana Santana).

Os nomes citados dão conta de apenas parte das mulheres que ocupam cargos de liderança na Agência. Não só na Presidência e na Superintendência-Geral, mas igualmente em outras unidades, como a Procuradoria Federal Especializada, o Departamento de Estudos Econômicos e o Tribunal, há mulheres desempenhando funções de chefia.

Questões comumente apontadas como impeditivos para a ascensão de mulheres a cargos de liderança, como gravidez e licença-maternidade, não são vistas, de forma nenhuma, como um empecilho no Cade. Pelo menos três servidoras foram promovidas durante ou logo após retornarem de suas licenças. Além disso, embora pesquisas indiquem um padrão de demissão de mulheres em 24 meses após o retorno da licença-maternidade, no Cade, isso não poderia ser mais distante da realidade, já que as servidoras em cargo de chefia não enfrentam problemas para retornarem aos seus postos após gozarem do período de afastamento.

Essas conquistas compõem um quadro de indiscutível avanço no Cade. O exemplo do órgão antitruste deveria ser seguido em todo o mercado de trabalho.