Novo superintendente da PF gaúcha já combateu o cartel dos cegonheiros

Aldronei Rodrigues estruturou inquérito com mais de seis volumes, apontando Vittorio Medioli como chefe da quadrilha que atua no setor de transporte de veículos novos em todo o país.

O futuro superintendente regional da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, delegado Aldronei Antonio Pacheco Rodrigues, conhece como poucos toda a estrutura do chamado cartel dos cegonheiros. Presidiu e relatou o Inquérito Policial 277/2010. Uma extensa peça composta por seis volumes, na qual foi identificada uma verdadeira organização criminosa que controla o mercado de transporte de veículos novos no pais. O esquema é composto basicamente por empresários-cegonheiros que ateiam fogo de maneira criminosa em caminhões-cegonha de empresas concorrentes que ousam disputar fretes nesse mercado. O líder desse bando, segundo conclusão dos federais, é o político e empresário Vittorio Medioli, proprietário do grupo Sada, um dos alvos da Operação Pacto. Medioli também é prefeito de Betim (MG). A posse do delegado ainda não está marcada.

Entre os indiciados no IPL 277/2010 também aparecem diversos empresários-cegonheiros vinculados ao Sindicato dos Cegonheiros do Espírito Santo, o Sintraveic-ES – outro alvo da Operação Pacto, a exemplo das transportadoras Tegma, Brazul e Transcar. O presidente Waldelio de Carvalho Santos, e outros dirigentes da entidade patronal capixaba, também foi indiciado. Nessa peça, José Carlos Rodrigues, mais conhecido como Pernambuco, prestou depoimento ao delegado Aldronei. Contou com requintes de detalhes como colegas de profissão se organizam para incendiar criminosamente equipamentos de empresas concorrentes dos grupos Sada e Tegma. Pernambuco chegou a montar um protótipo do coquetel molotov utilizado pelos criminosos para alcançar maior poder de destruição nos equipamentos incendiados (foto abaixo).

O IPL 277/2010 atualmente encontra-se em tramitação na 11ª Vara Criminal da comarca de Porto Alegre. Percorreu a Polícia Federal de mais dois Estados: São Paulo e Minas Gerais. Foi encaminhado ao Tribunal de Justiça mineiro por conta da possível prerrogativa de foro de Medioli como prefeito de Betim, mas os desembargadores entenderam que não havia nexo entre as atividades empresarial e a chefia do Executivo municipal. Determinaram o envio do processo à vara de origem, em Porto Alegre. Medioli chegou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para responder em Minas Gerais, mas o ministro Alexandre de Moraes teve o mesmo entendimento dos desembargadores mineiros. Com isso, o processo retornou à capital gaúcha, onde aguarda posição do Ministério Público, que ainda não apresentou a denúncia.

Respeito
Aldronei Rodrigues é respeitado por todos os colegas da Polícia Federal. E de fora também. Formado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, está na PF há 16 anos. Teve passagem também pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). É considerado especialista no combate a organizações criminosas que agem contra o sistema financeiro. Passou pela Delegacia de Crimes Fazendários e atualmente desempenha suas funções na Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros.