Dirigente cegonheiro acusa Sinaceg de apoiar entidade paralela no Rio Grande do Sul

Jefferson de Souza Casagrande faz novas denúncias contra o cartel dos cegonheiros, depois de negar a existência da organização criminosa por quase vinte anos. No comando da associação (Sintravers) de empresários, ele também aponta descumprimento de ordem judicial que proíbe participação da entidade paulista (Sinaceg) em outros estados.

Apesar de sentença da Justiça Federal que proíbe um sindicato paulista que se autointitula nacional de atuar em outros estados onde existem entidades regionais, o Sinaceg segue interferindo nas relações entre transportadoras de veículos novos e montadoras, acusa o presidente do Sindicato dos Cegonheiros do Rio Grande do Sul (Sintravers), Jefferson de Souza Casagrande, mais conhecido como Bolinha.

Ele afirma:

“O Sinaceg tem poder político gigantesco, domina as tratativas com as empresas de logística e continua interferindo em sindicatos regionais por todo o país.”

A afirmação faz parte de minuta de ação judicial encaminhada por Casagrande ao site Livre Concorrência. A petição aponta conluio entre Sinaceg e entidade recém-criada no estado gaúcho – o Sintracergs – para “sufocar” o Sintravers. O documento pede o bloqueio das contas da nova entidade. O texto, no entanto, ainda não foi protocolado na Justiça gaúcha.

Bolinha se queixa de ação de integrantes da diretoria do Sinaceg. Segundo ele, José Dozinete da Silva, o Mexicano, que também integra o novo sindicato, age com a finalidade de “minar” o Sintravers. O motivo, conforme Casagrande, é o fato de o Sintravers – entidade gaúcha que representa a categoria desde o ano de 2000 – não se dobrar às determinações oriundas de São Paulo.

Tempos atrás, Bolinha chegou a denunciar ter recebido oferta de salário para não disputar a última eleição e, com isso “entregar o comando para o Sinaceg”. No documento, que segundo ele será ajuizado após a apresentação do conteúdo ao Ministério Público Federal, há links de pelo menos quatro matérias veiculadas pelo site Livre Concorrência. Ele promete que “não vai ficar pedra sobre pedra”, referindo-se a denúncia a ser encaminhada ao MPF.

À frente do Sintravers desde 2000, Bolinha foi um dos autores da denúncia ao MPF de formação de cartel no setor de transporte de veículos novos. O fato culminou na condenação, pela Justiça Federal, da General Motors do Brasil, Luiz Moan Yabiku Júnior (diretor da montadora na época), a extinção compulsória da Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV) e Sinaceg. Como desdobramento, uma ação penal condenou Luiz Moan, Aliberto Alves, agora falecido (presidente do Sinaceg), e Paulo Roberto Guedes, presidente da ANTV na época.

No início dos anos 2000, no entanto, Bolinha alinhou o Sintravers ao cartel que denunciou, conquistando uma fatia do mercado aos associados da entidade. Passou a negar a existência do cartel dos cegonheiros. Agora, volta à carga ao acusar o Sinaceg de controle absoluto do setor de transporte de veículos novos. Na minuta de ação, ele cita:

“Determina [o Sinaceg} quem carrega, quando carrega e para onde carrega.”

De acordo com o texto da proposta de ação, o sindicato paulista também possui “ingerência sobre as transportadoras”. Casagrande acusa o Sinaceg de planejar a retirada do financiamento do Sintravers. Segundo ele, as atuais transportadoras associadas ao Sintravers seriam obrigadas a migrar para a nova entidade. Com isso, o tradicional sindicato gaúcho perderia a receita proveniente do pagamento de mensalidades das empresas filiadas.

O dirigente identifica as transportadoras que cumprem as determinações do Sinaceg: Transzero, Brazul (de propriedade do grupo Sada), Tegma e Transauto. As três primeiras, alvos da Operação Pacto deflagrada pela Polícia Federal em 17 de outubro de 2019, em parceria com o Gaeco de São Bernardo do Campo (SP) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Todas prestam serviços para a unidade fabril da General Motors do Brasil, em Gravataí (RS).