Vittorio Medioli volta a ameaçar o site com ações indenizatórias

Em resposta à solicitação do site Livre Concorrência, o político e empresário de Minas Gerais repetiu ser vítima de matérias “caluniosas, infamantes e difamatórias”. Disse ainda que o jornalista e editor Ivens Carús deve seguir o caminho de Afonso Rodrigues de Carvalho para “evitar altos custos das indenizações que se seguirão às condenações criminais”. Carvalho, depois de 20 anos combatendo o cartel dos cegonheiros, aliou-se à organização criminosa que controla o transporte de veículos novos no país, segundo conclusões da Polícia Federal, Ministério Público Federal, Cade e Gaeco.

Vittorio Medioli respondeu ao site Livre Concorrência, sobre o acordo proposto por Afonso Rodrigues de Carvalho – ex-lider sindical recentemente cooptado pelo cartel dos cegonheiros – para calar o jornalista Ivens Carús. O dono do grupo Sada – investigado pelo Cade, Gaeco e Polícia Federal, no âmbito da Operação Pacto – acusou mais uma vez a equipe do Livre Concorrência de tentar desestabilizar o setor. Medioli também é apontado no inquérito 277/2010 da Polícia Federal, como chefe da quadrilha investigada por incêndios criminosos em caminhões-cegonha de empresas concorrentes. O IPL está tramitando na comarca de Porto Alegre (RS).

Ele escreveu:

“As suas ações [do jornalista Ivens Carús] neste site e no anterior, denominado Anti-Cartel, enfim se destinaram sempre ao exercício de tentar desestabilizar o setor, tudo isso, segundo provas contidas no referido inquérito policial, patrocinado e dirigido pelo Senhor Sérgio Gabardo, que, inclusive, teve oportunidade de ser ali ouvido no último 5 de julho, quando se manteve em silêncio.”

Ele também falou do novo aliado, contratado a peso de ouro:

“Quanto ao Senhor Afonso Rodrigues, de fato ele se retratou nos autos da ação penal privada que instaurei contra ele em São Bernardo do Campo/SP, no processo n. 1032241-06.2019.8.26.0564, que ali tramitou na 1ª Vara Criminal, a cujos autos se destinava a escritura pública objeto de maliciosa matéria exibida em seu site, o Livre Concorrência. Com a juntada dela aos autos respectivos, concedi o perdão judicial a ele e a Juíza do caso o homologou, extinguindo a punibilidade, nos termos do artigo 107, V, do CP.”

O empresário, já condenado por evasão de divisas em 2ª instância, aproveitou para indicar como o jornalista Ivens Carús deve proceder para se reconciliar com ele:

“Esse é o caminho para eventual acordo entre nós dois e entre o Senhor e o Grupo Sada e o que não falta é foro para que ele ocorra, bastando que o Senhor compareça a uma das diversas audiências já designadas e reiteradamente adiadas justamente porque não se aperfeiçoa a sua intimação para a audiência de conciliação de que fala o artigo 520, do CPP. O Senhor pode comparecer nos seguintes autos, se retratando e solicitando o perdão, como fez o Senhor Afonso Rodrigues de Carvalho.”

Ele ameaçou:

“Portanto, se há alguma possibilidade de retratação do Senhor, os caminhos são esses, aliás, como antes ressaltado, o mesmo trilhado pelo Senhor Afonso Rodrigues de Carvalho, que o fez para evitar os altos custos das indenizações que se seguirão às condenações criminais.”

Resposta do site
Em nome da equipe do site Livre Concorrência, o jornalista Ivens Carús esclareceu:

“Não tenho de fazer retratação nenhuma. Trabalho com fatos. Mesmo assim, me coloco à disposição para realizar algum tipo de acordo, desde que o senhor e seus advogados apresentem nos autos de qualquer ação documentos oficiais da Polícia Federal, do Gaeco e do Cade afirmando que o senhor e suas empresas não estão sendo investigados conforme noticio no site.”