Funcionário da Brazul comprou site Abraboca para eliminar noticiário desfavorável

O objetivo do suposto cartel dos cegonheiros sempre foi calar o jornalista Ivens Carús. Nos últimos 20 anos, mais de 40 ações foram movidas contra o editor do site Livre Concorrência. Só o grupo Sada protocolou 21 ações, das quais 10 já foram arquivadas (11 seguem em andamento). Vale tudo para silenciar notícias não favoráveis a empresas, executivos e sindicalistas ligados a investigações por organização criminosa que, suspeita-se, controla mais de 90% dos fretes de veículos novos. Em 2005 o cartel chegou a comprar o site Abraboca, só para desativá-lo tempos em seguida.

O site Abraboca foi adquirido em 27 de abril de 2005 por Alexandre Santos e Silva, funcionário da Brazul Transporte de Veículos – transportadora que integra o grupo Sada. Silva, que se apresentou como investidor do ramo de artigos esportivos, montou uma empresa em sociedade com o irmão, Rafael Santos e Silva. Por conta de divergências sobre conteúdo publicado em um novo site recém-lançado na ocasião, denominado Anticartel, que contava com a participação do jornalista Ivens Carús, houve ajuizamento de ação.

Os irmãos Silva ficaram contrariados com a decisão de Ivens Carús aparecer no site Anticartel.com após a venda do Abraboca. Na sentença, o juiz Dilso Domingos Pereira, titular da 14ª Vara Cível da comarca de Porto Alegre, julgou improcedente o pedido:

“Em maio de 2005, o site www.abraboca.com.br  ganhou uma nova administração e assumiu um novo perfil. Hoje [à época] o site é dedicado ao setor automotivo e tem como objetivo trazer os lançamentos e projetos que a indústria colocará à disposição do público, além de informar sobre tudo o que ocorre diariamente no meio”.

O magistrado analisou os conteúdos distintos dos sites Abraboca e Anticartel:

“Constatado dos documentos acostados aos autos que o conteúdo de um site e do outro são distintos, o que, consequentemente, não acarreta a deteriorização do bem negociado, ou não implica a concorrência desleal (fl.03), resta o julgamento de improcedência do pedido formulado pelo autor”.

O juiz condenou o autor ao pagamento das custas e a honorários do requerido, fixados em R$ 500,00. A sentença é datada de 15 de março de 2007. Houve recursos ao Tribunal de Justiça e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ambos rejeitados.

Era a primeira tentativa de calar o jornalista Ivens Carús.