Gaeco gaúcho deverá assumir inquérito da PF que aponta Medioli como chefe da quadrilha investigada

Atualmente na comarca de Porto Alegre (RS) – tramitando há dez anos – a extensa investigação da Polícia Federal sobre o cartel dos cegonheiros, que passou por três estados da Federação, aguarda parecer do Ministério Público. O Grupo de Atuação Especial em Combate ao Crime Organizado – Gaeco – deverá assumir o processo, que ainda está à espera da denúncia ou da promoção pelo arquivamento.

A exemplo do que aconteceu em São Bernardo do Campo (SP), o Grupo de Atuação Especial em Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – órgão do Ministério Público que atua diretamente na identificação, investigação e repressão das atividades de organizações criminosas – deverá assumir o inquérito 277/2010 da Polícia Federal, que investigou e indiciou quase uma dezena de pessoas pela prática de vários crimes, inclusive incêndios em caminhões-cegonha de empresas concorrentes às dos grupos Sada e Tegma, ambos, alvos da Operação Pacto. A Assessoria de Comunicação Social do MP informou que o coordenador do Gaeco ainda não tem conhecimento da informação que foi repassada, com exclusividade, por uma fonte ao site Livre Concorrência.

O inquérito, oriundo da Superintendência da Polícia Federal do Rio Grande do Sul, é datado de 2010 e passou pela PF de São Paulo e de Minas Gerais. No relatório final, além de outros indiciados, a autoridade policial aponta Vittorio Medioli, atual prefeito de Betim (MG) e proprietário do grupo Sada, como o “chefe da quadrilha investigada”. A revelação foi feita pelo desembargador Adilson Lamounier, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ao proferir despacho em 27 de julho de 2017. O magistrado encaminhou o processo à Delegacia de Polícia especializada em investigações de falsificações de sonegação fiscal e crime contra a administração pública, solicitando a oitiva de indiciados. O desembargador escreveu:

“Vittorio Medioli, apontado no relatório da autoridade policial (páginas 632 a 651), como suspeito de chefiar a quadrilha investigada.”

Na mesma decisão, surge também pedido de oitivas de outros indiciados: Claudemir Soares de Oliveira (Tramontina), João Danilo Gomes Martins, (João Serrano), Tiago Gomes Martins (Tiago Serrano), Luciano Gomes Batista (Goiano) e Jonas Lopes da Silva. Nesse inquérito constam depoimentos de José Carlos Rodrigues, mais conhecido como Pernambuco, anexado em produção antecipada de provas. O empresário-cegonheiro relatou com riqueza de detalhes como eram incendiados caminhões-cegonha de empresas concorrentes. Chegou a montar um protótipo de coquetel molotov empregado nos atos criminosos e o entregou à Polícia Federal. A maioria dos nomes já teve vinculação ao Sindicato dos Cegonheiros do Espírito Santos (SIntraveic-ES), outro alvo da Operação Pacto, da Polícia Federal.

Confira os crimes identificados pela Polícia Federal e atribuídos aos investigados.