Empresa gaúcha protocola notícia-crime contra ex-sindicalista que denunciou cartel dos cegonheiros por mais de 20 anos

Para autores da petição, Afonso Rodrigues de Carvalho pratica “sistemático ataque” à transportadora gaúcha e ao empresário Sérgio Mário Gabardo. O objetivo das ofensas, segundo os advogados, “é dar publicidade nacional e internacional a sua [de Afonso] atuação pessoal de sedizente líder sindical (para obter fama e recursos financeiros) e, assim, prejudicar ainda mais a imagem da empresa para a qual ele prestou serviços por mais de 20 anos”.

Depois de mais de 20 anos acusando o Sinaceg, a ANTV e as transportadoras Tegma, Brazul, Sada, Dacunha e Transzero de praticarem crimes de formação de cartel no setor de transporte de veículos novos, o ex-sindicalista Afonso Rodrigues de Carvalho aderiu ao chamado cartel dos cegonheiros. Desde o início deste ano, quando decidiu mudar de lado, elegeu como único alvo de suas novas críticas a Transportadora Gabardo, uma das principais concorrentes de grupos investigados e processados por formação de cartel, organização criminosa abuso de poder econômico, dominação de mercado, eliminação total ou parcial de concorrência e fixação artificial de preços de fretes. A sanha de Afonso contra a empresa gaúcha e seu proprietário levou os advogados da Transportadora Gabardo a registrarem notícia-crime na Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público do Amazonas.

O advogado Carlo Velho Masi requereu ao Ministério Público do Amazonas a abertura de investigação para apurar “sistemático ataque” desferido por Afonso a Transportes Gabardo e ao empresário Sergio Mário Gabardo, dono da empresa. A demanda no Amazonas originou-se após Afonso gravar em vídeo distribuído pelo aplicativo WhatsApp supostas irregularidades denunciadas pelos próprios motoristas da Gabardo, no trecho fluvial realizado sobre balsas entre Porto Velho (RO) e Manaus (AM).

Na petição, Masi afirma que Afonso praticou o delito de falsidade ideológica, ao utilizar o nome de uma associação inexistente para realizar denúncias ao Ministério Público do Trabalho da 11ª Região e à Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC) contra a Gabardo.

Em 19 de outubro de 2021, Afonso valeu-se do nome da Associação Nacional dos Transportadores Agregados à Transportes Gabardo (Antag) para revelar às autoridades públicas daquele estado uma investigação particular.

Ocorre que a Antag, fundada por Afonso, deixou de existir em 1º de março de 2021, a pedido dele próprio. Masi explica:

“O representado [Afonso] não poderia ter feito uso de uma denominação de associação que foi alterada em assembleia geral. Isso porque, ao utilizar-se da nomenclatura Associação Nacional dos Transportadores Agregados à Trasportes Gabardo, o objetivo de Afonso – inimigo público declarado da Transportes Gabardo e de Sérgio Mário Gabardo, inclusive com diversas ações civis e penais por crimes crime contra a honra contra ele em andamento – era constranger a Transporte Gabardo com uma denúncia que supostamente estaria vindo de seus próprios motoristas/empresas ‘agregadas’, o que é uma inverdade.”

Masi acrescenta:

“As denúncias de supostas irregularidades das quais a Transportes Gabardo teria ciência e concordaria, segundo a acusação leviana do Sr. Afonso, provieram de uma investigação pessoal feita por ele, sabe-se lá com quais recursos, com o propósito de denegrir a imagem da empresa e de seu proprietário.”

E destaca:

“O Sr. Afonso inseriu em documentos particulares declarações falsas ou diversas das que deveriam ser escritas, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.”

E conclui:

“Afonso tem interesse pessoal que a Transportes Gabardo seja, de qualquer forma, responsabilizada pela suposta situação irregular de transporte de passageiros em balsas, a fim de poder dar publicidade nacional e internacional a sua atuação pessoal de sedizente líder sindical (com isso obtendo fama e recursos financeiros) e, assim, prejudicar ainda mais a imagem da empresa. “

Na Petição, Masi também lembra que o relacionamento comercial entre a Transportes Gabardo e Afonso durou mais de 20 anos.

“A empresa de Afonso prestou serviços para a Gabardo. No final de 2020, porém, Afonso voltou-se contra Gabardo e passou a exigir benefícios. Não obtendo êxito em seus pleitos, passou a empreender uma campanha de desmoralização da empresa e de seu dono, proferindo todo tipo de ofensa e ameaçando divulgar inverdades a seu respeito, mobilizar cegonheiros e carreteiros e embaraçar o exercício regular das atividades da Transportes Gabardo.”

A petição foi protocolada no MP-AM em 11 de novembro.

O site Livre Concorrência tentou ouvir Afonso, mas ele não respondeu.