Editorial / Por que falamos de nós?

Eis que aprendemos que não somos notícia. Chamou-me atenção com absoluta propriedade, um colega. Debatemos a questão e chegamos à conclusão de que nossos leitores têm o direito de tomar conhecimento a respeito dos fatos levados a autoridades constituídas, principalmente pelo escritório intitulado Décio Freire Advogados (DFA). Somos únicos nessa divulgação. A chamada grande mídia faz vistas grossas. Questões absolutamente distorcidas, inverídicas em vários aspectos, tendenciosas, omissas, para resumir. Naturalmente no desespero de defender o indefensável, chega às raias da utilização de um linguajar incompatível com a advocacia pautada na seriedade e no respeito a qualquer cidadão, seja ele quem for. Torna-se inquestionável, por isso mesmo, a ausência de argumentos sólidos causando rubor a qualquer advogado leal aos princípios que norteiam a nobre profissão.

E tal petição foi protocolada justamente no Cade, órgão que está investigando “possíveis” práticas de infrações à ordem econômica, formação de cartel. Chega-se ao ponto de citar o cartel dos cegonheiros – uma organização criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos – como “suposto”. Isso sim, é a mais pura desfaçatez, sem precedentes. Cade, Polícia Federal e Gaeco de São Bernardo do Campo deflagraram a Operação Pacto em 17 de outubro de 2019, quando vasculharam também empresas de transporte de propriedade de Vittorio Medioli. Tudo ficou comprovado, segundo os agentes que participaram da operação. E três integrantes do escritório de advocacia se referem ainda a um “suposto cartel”. Parece que estão a zombar da autoridade antitruste e da sociedade brasileira.

Parajornalismo citado na referida petição não soa como uma adjetivação pejorativa para nós. Pelo contrário, apresenta-se como um elogio ao nosso trabalho sério e honesto, que, diferente do “judas Iscariotes”, que se revelou no início deste ano, não se curva ou se dobra ao poder econômico e político, que negocia escandalosamente com testemunha na mesma ação em que é réu, para tentar se livrar das garras da Justiça. É possível que o novo judas renegue o passado. Contudo, jamais conseguirá apagar a história.

Parajornalismo que não se corrompe por 30 moedas de prata ou por R$ 1,5 milhão acomodados em uma mala, dinheiro sujo.

Parajornalismo que não se acovarda. Não se intimida, porque executa um trabalho ao lado das autoridades brasileiras, na luta incansável contra o cartel dos cegonheiros e contra tantos quantos causarem prejuízos à economia e à sociedade.

Parajornalismo que fez ruir uma fraude processual que estava em curso e que levou um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao erro, concedendo uma liminar no Conflito de Competência 168092, suscitado pelo DFA, representando os interesses da ANTV, o qual iludiu – temporariamente – um integrante de uma das mais altas Cortes deste país.

Parajornalismo que denunciou o fato e que serviu de amparo para que o judas de hoje, denunciante de ontem, levasse documentos comprobatórios – acompanhado de um dos seus advogados – à Procuradoria-Geral da República, responsável pelo questionamento no STJ, que culminou com nova decisão do ministro cassando a liminar concedida à ANTV, e estendida à Tegma, Gestão logística, decretando mais uma derrota jurídica ao escritório DFA e, por consequência, ao cartel dos cegonheiros.

Parajornalismo que concedeu espaço para divulgar a denúncia feita à PGR, após a do site Livre Concorrência, pelo denunciante do passado, transformado no judas de hoje, após acordo milionário e escandaloso firmado com Vittorio Medioli.

Parajornalismo, enfim, que deixou este espinho atravessado na garganta do escritório DFA, certamente o principal motivo que leva o trio de advogados a perder a compostura ao firmarem uma petição que mostra a ânsia de tentar desqualificar pessoas em defesa do chefe maior. Mentir, enganar, omitir. Isso sim, envergonha a classe a qual pertencem.

É preciso, acima de tudo, respeito e veracidade. Nossa credibilidade foi conquistada pela seriedade, competência, ética e profissionalismo. É, sem sombra de dúvida, o que mais incomoda aos foras-da-lei e seus defensores regiamente pagos. Argumenta o escritório advocatício a existência de mais de 1.500 matérias injuriosas, difamatórias e caluniosas, mas até o momento não conseguiu comprovar uma sequer em juízo.

Parte, então, para o terreno das ofensas pessoais com falsas afirmações. Mentiras. Certamente fizeram escola com o chefe Medioli que num único depoimento prestado ao Ministério Público Federal de São Bernardo do Campo mentiu pelo menos quatro vezes. Afirmou que o site era registrado uma parte na Bolívia e outra no Perú. “Mandei investigar”, afirmou falsamente a um procurador da República. Foi mais longe. Disse que o site funcionava numa sala da empresa Transportes Gabardo e, mais astuto, frisou que o editor do site já havia sido condenado e estava pagando cestas básicas. Fez escola, repito, seguida à risca por DFA.

Há, em uma única petição, um sem-número de inverdades, mentiras, com vistas a tentar enganar a autoridade antitruste que está de posse de centenas de documentos apreendidos na Operação Pacto. Impossível enganar o Cade nessa altura do campeonato.

Cabe destacar ainda, a tentativa frustrada de atribuir ao editor deste site, uma possível manobra para não ser intimado em queixas-crime ajuizadas na comarca de Betim. Cita o escritório advocatício: olhos postos na prescrição, o que lhe vinha assegurando a impunidade – chega a mencionar – , referindo-se ao fato de ainda não ter sido citado em algumas queixas-crime. Em todas as ocasiões, chamado, compareci. Jamais me furtei em atender às autoridades constituídas deste país, bem diferente do chefe dessa banca que costuma não comparecer às audiências. Dentre tantas, esteve apenas numa. Aliás, esquece o trio de bacharéis que assinou a petição encaminhada ao Cade, que de olhos postos na prescrição, está o próprio chefe, Vittorio Medioli, na possível futura decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), o que lhe garantirá impunidade frente ao consumado crime de evasão de divisas, pelo qual foi condenado em 2015.

Sobre esse assunto, vale recordar o trocadilho popular: “pau que bate em Chico, não bate em Francisco, ou melhor, em São Medioli”.

A bem da verdade, pelo que temos conhecimento, é dever do querelante informar, ao juízo, o endereço do querelado, para citação. Quando isso não ocorre é possível refletir sobre eventual questão denominada incompetência advocatícia.

Por fim, para não ocupar tanto tempo dos nossos leitores, reafirmamos, de maneira unânime, clara e contundente. Aqui neste modesto site. Nossa luta contra esses poderosos que controlam o setor de transporte de veículos novos continua, sempre ao lado das autoridades constituídas. E mais uma vez, deixamos claro e de conhecimento público. Não aceitamos ofertas financeiras, sejam elas de que porte forem para mudar nossa linha editorial visando a favorecer este ou em desfavor daquele. Venham de onde vierem. Muito menos, para a produção das chamadas fake news. Não só recusamos, como denunciamos fatos dessa natureza. Nosso oxigênio são fatos e contra eles não há argumentos.

Ivens Carús, editor