Justiça de Betim rejeita mais um pedido de Vittorio Medioli para censurar site

Apontado em inquérito da Polícia Federal de chefiar o cartel dos cegonheiros, Vittorio Medioli volta-se contra jornalista que vem expondo há mais de 20 anos os crimes praticados por organização criminosa que atua no setor de transporte de veículos novos no País. Na sanha de assediar processualmente o editor Ivens Carús, o dono do grupo Sada pede agora à Justiça a exclusão de matérias que o vinculam ao cartel. Juíza de Betim indeferiu liminar.

A juíza Vanessa Torzeczki Trage, da 4ª Vara Cível da Comarca de Betim, indeferiu pedido de antecipação de tutela – liminar – formulado pelo político e empresário Vittorio Medioli contra o site Livre Concorrência. Em mais uma ação indenizatória por dano moral movida contra o jornalista Ivens Carús, o dono do grupo Sada requereu à Justiça a exclusão imediata de matérias que ele considera ofensivas. No Rio Grande do Sul, em outra ação, Medioli chegou a pedir que a Justiça proibisse Carús de exercer atividade remunerada ligada ao jornalismo, o que igualmente foi negado. Em sentença datada de 20 de janeiro, a magistrada de Betim justifica porque indeferiu o pedido de tutela antecipada:

“No caso dos autos, em sede de cognição sumária, não é possível vislumbrar que as notícias publicadas pelo primeiro demandado [Ivens Carús] não sejam verdadeiras ou que tenham sido publicadas unicamente com o intuito de prejudicar o autor [Vittorio Medioli].”

Ela avança:

“Da análise das provas até agora constantes dos autos, não se vislumbra a alegada ofensa à honra da parte autora, tampouco que tenha o réu Ivens Otávio Machado Carús extrapolado a liberdade de imprensa ou o direito à informação.”

E conclui:

“Saliente-se que eventual descontentamento da parte autora em relação as matérias não lhe confere o direito de retirá-la do ar, não sendo dado ao Poder Judiciário exercer censura prévia sobre notícias. Desta forma, INDEFIRO a tutela de urgência pleiteada.”

Dessa vez, Vittorio Medioli está processando na mesma ação Carús e o empresário Sergio Gabardo, proprietário da Transportes Gabardo, concorrente do grupo Sada. O empresário de Minas Gerais – apontado em relatório da Polícia Federal de chefiar organização criminosa que controla o transporte de veículos novos – acusa o site de ser financiado pelo dono da transportadora gaúcha. Medioli pede R$ 100 mil de indenização por danos morais.

Vale lembrar que as empresas de Medioli, por quase três anos, integraram a relação de patrocinadores do site. A ira de Medioli contra o editor do site se intensificou depois de o jornalista recusar propina de R$ 1,5 milhão para prestar falso testemunho à Justiça a favor do cartel.

Sobre o suposto financiamento alegado por Medioli, a juíza acrescenta:

“A veracidade das notícias publicadas e do suposto financiamento existente
em relação ao primeiro e o segundo requerido para prejudicar o autor é matéria de mérito e somente poderá ser analisada no curso da instrução processual. Frise-se que, inclusive, já
existem processos criminais investigando os fatos.”