Ausência de BID e outras questões preocupam matriz da General Motors nos EUA

Documento apreendido pela Polícia Federal mostra preocupação do gerente global de compras da montadora, frente a constantes questionamentos feitos pela matriz nos EUA. Falta de BID para o transporte de veículos, empresas atuando sem contrato vigente e aumento de tarifas entre prestadores de forma parecida foram temas de “conversa informal”, levada ao conhecimento do proprietário do grupo Sada por um funcionário da Brazul. Congelamento do transporte por cabotagem em troca de possíveis favores também vieram à tona.

Informalmente a General Motors do Brasil se queixa dos atuais prestadores de serviço responsáveis pelo escoamento da produção de veículos zero quilômetro. Formalmente, no entanto, a montadora mantém firme os laços com o chamado cartel dos cegonheiros, mesmo depois de ter sido condenada em 2ª instância por participação no esquema. A norte-americana detentora da marca Chevrolet, que segundo relatado em documento apreendido pela Polícia Federal no âmbito da Operação Pacto passa “a mensagem de ser refém dos prestadores atuais”, recebe constantes questionamentos da matriz nos EUA a respeito de diversos comportamentos e alerta:

“Em algum momento virão determinações que precisarão ser cumpridas.”

Reprodução de trecho de e-mail apreendido na Operação Pacto.

Os relatos de conversas informais e formais foram enviados por Alexandre Santos (Brazul) a Vittorio Medioli, proprietário do grupo Sada, em 15 de abril de 2016, às 20h44min. Na correspondência eletrônica, Santos refere-se a comentários feitos por Luiz (possivelmente Luiz Rodrigues, Gerente Global de Compras da General Motors) a respeito do contrato vencido em 2013. De acordo com o texto, “o jurídico da GM não aceita que seja feito um novo com as empresas atuais devido ao processo no RS (Ação Civil Pública que condenou a montadora e outros três réus)”. Santos respondeu:

“Coloquei que um aditivo, aparentemente não teria problema e ele (Luiz) concordou. Depois disso – segue o relato – não segui com o assunto, pois lembrei do que houve recentemente com a Tegma. Para mim, o compromisso de redução do frete que eles fizeram foi em troca desse novo documento assinado de 5 anos.”

Reprodução de trecho de e-mail apreendido na Operação Pacto.

Santos – um dos indiciados pela PF na Operação Pacto – escrevera para a Medioli:

“A conversa de hoje foi um bate-papo informal, mas foi uma prévia do que teremos pela frente na conversa sobre o reajuste de frete (encontraremos para cada tema uma saída/solução).”

O executivo da Brazul também alertou para o recado passado por Luiz, da GM, sobre os constantes questionamentos da matriz nos Estados Unidos, em relação a alguns temas. Citou como exemplos, o fato de “empresas atuando sem contrato vigente, falta de um BID (Bid process, ou Biding process, em inglês) – cotação de preços – no transporte de veículos, aumento de tarifas entre os prestadores de forma parecida, impossibilidade de alteração no modelo atual de logística visando economias, enfim…. a mensagem é a de ser refém dos prestadores atuais”. Mesmo assim, Santo revelou que “o Paris (VP) é quem está suportando o assunto”.

O site Livre Concorrência contatou a Assessoria e Imprensa da General Motors do Brasil a respeito do assunto, mas a montadora preferiu manter silêncio.

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