Brasil cai quatro posições em ranking que mede a liberdade de imprensa em 180 países

Documento da Abert mostra aumento de 21,69% nos casos de violência contra jornalistas e veículos de imprensa em 2021. O país caiu quatro posições em ranking que avalia a liberdade de imprensa no mundo. Na 111ª posição, Brasil aparece ao lado de Bolívia, Nicarágua, Rússia, Filipinas, Índia e Turquia. Decisões judiciais proferidas em ações de indenizações por danos morais também cresceram 20,83% em 2021.

Pela primeira vez em 20 anos, o Brasil entrou na zona vermelha do Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa, elaborado pela organização internacional Repórteres sem Fronteiras (RSF). A entidade estuda o nível de liberdade de expressão em 180 países e os separas em cinco grupos identificado por cores: branca (muito boa), amarela (boa), laranja (problemática), vermelha (difícil) e preta (muito grave). Em relação a 2020, o país caiu quatro posições em 2021, passando da 107ª colocação para a 111ª. É o quarto ano seguido de queda.

Desde 2002, quando a RSF começou a publicar a classificação sobre as condições para o exercício do jornalismo no mundo, esta é a pior colocação conquistada. O Brasil aparece ao lado de Bolívia, Nicarágua, Rússia, Filipinas, Índia e Turquia – nações onde a situação do trabalho da imprensa é considerada difícil. Os dados integram o relatório anual da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), divulgado nessa terça-feira (22).

O documento da Abert, intitulado “Violações à Liberdade de Imprensa de Expressão”, aponta ainda um aumento de 21,69% no número de profissionais e veículos de comunicação no Brasil que sofreram algum tipo de ataque. Foram pelo menos 230 em 2021, contra 189 no ano anterior. Ao todo a associação registrou 145 atentados, agressões físicas, ameaças, intimidações e ofensas. São quase três casos de violência contra jornalistas por semana.

Decisões judiciais
O relatório da Abert não contabilizou as decisões judiciais como violência não letal contra jornalistas e veículos de imprensa, mas, a exemplo das edições anteriores, dedicou um capítulo para o assunto. O documento revela:

“Os pedidos de retirada do ar de informações e matérias jornalísticas, além da proibição de citação do nome dos alvos das reportagens continuam sendo prática comum na justiça brasileira. São também um dos recursos mais utilizados como forma de intimidação do trabalho jornalístico.

As decisões judiciais proferidas em ações de indenizações por danos morais cresceram 20,83% em 2021. De um total de 29, 14 foram contrárias à imprensa. Parte foi revertida em segunda instância.

􏰔􏰊􏰚􏰘􏰐 􏰭􏰐􏰒􏰌􏰎􏱀􏰉􏰒