Sinaceg diz ignorar por completo conteúdo de documento apreendido

Entidade condenada em segunda instância da Justiça Federal por participação no chamado cartel dos cegonheiros afirma ignorar por completo o que está sendo tratado no e-mail apreendido pela Polícia Federal no âmbito da Operação Pacto. Segundo a diretoria do sindicato patronal, “parece ser uma troca de mensagens internas do grupo Sada”.

O Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg) também foi procurado pelo site Livre Concorrência para responder alguns questionamentos a respeito do conteúdo de correspondência eletrônica encaminhada pelo proprietário do grupo Sada, Vittorio Medioli, a um dos seus subordinados. O documento foi apreendido por policiais federais em diligência criminal deflagrada em 17 de outubro de 2019. Sobre o assunto, a direção da entidade patronal ressalta: “Pouco ou nada temos a informar”. E acrescenta:

“Este sindicato ignora por completo o que está sendo tratado no que parece uma troca de mensagens internas do grupo Sada.”

Para a diretoria do Sinaceg, o teor do documento, parece claramente “ser um assunto que trata da relação entre montadora e transportadora (operadora logística)”, ou de transportadoras entre si:

“O [assunto] evidentemente vai além do nível de conhecimento deste sindicato. Lembramos, sempre, que se tratam de elos distintos da cadeia produtiva.”

A entidade patronal destaca:

“Mesmo ignorando a que se referem os valores mencionados na sua mensagem [constante no e-mail apreendido pela Polícia Federal], ou mesmo de que se trata a citada marretada, é preciso mencionar que acompanhamos sempre todas as ações que possam resultar em redução dos valores de fretes pagos a nossos associados, tendo em vista os altos investimentos que os mesmos fazem para sua atuação no setor.”

Ainda de acordo com o Sinaceg, as transportadoras estão cientes de que qualquer variação que possa prejudicar os cegonheiros sempre serão passíveis de “concordância” destes. Talvez seja isto – segundo a entidade patronal – o ponto a que se refere a troca de mensagens mencionadas e objeto da indagação do site. E conclui:

“De qualquer maneira, mesmo ante tal explicação, todos os que foram consultados no âmbito do sindicato, não se recordam do fato específico mencionado ali.”

O site Livre Concorrência tentou ouvir a versão da Tegma Gestão Logística, mas não obteve retorno. A General Motors do Brasil e sua matriz nos Estados Unidos da América também não demonstram interesse em prestar esclarecimentos sobre a série de documentos apreendidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Pacto.