Tegma pede ao Cade para que PF descubra fonte do site Livre Concorrência

Alvo da Operação Pacto – deflagrada pela Polícia Federal, Cade e Ministério Público de São Paulo – a Tegma Gestão Logística, que teve sua sede em São Bernardo do Campo (SP) vasculhada pelos federais, pediu à autarquia a instauração de expediente com vistas a descobrir a fonte que passou ao site Livre Concorrência a informação sobre deleção premiada em curso.

A divulgação com exclusividade de um pedido de delação premiada apresentado ao Cade, por Waldélio de Carvalho Santos, presidente do Sindicato dos Cegonheiros do Espírito Santo (SIntraveic-ES), outro alvo da Operação Pacto, desagradou e causou apreensão à Tegma Gestão Logística. A transportadora protocolou petição no inquérito em andamento no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que investiga a prática de infrações à ordem econômica – formação de cartel – no setor de transporte de veículos novos. A intenção é provocar a autoridade antitruste para que instaure procedimento para apurar o que considera “vazamento seletivo de informações ao referido veículo de comunicação”, o site Livre Concorrência.

Ignorando que qualquer veículo de comunicação social tem o direito a possuir fontes dentro dos limites estabelecidos pela ética, profissionalismo e pela legislação vigente, e que é garantido o seu sigilo absoluto, traduzindo-se num dos pilares da credibilidade, a Tegma vê a publicação do fato como uma “clara violação aos deveres de custódia e de responsabilidade que são atribuídos aos gestores de informações confidenciais ou dos próprios agentes privados participantes da negociação, além da expedição de ofício à Polícia Federal para a adoção das providências em âmbito criminal”. Esta não é a primeira vez que a Tegma volta-se contra a autarquia que investiga mais uma vez o setor de transporte de veículos novos no país. A empresa também pediu para que o Cade informe “se há negociação em andamento”, solicitando “acesso e cópia integral dos autos”. Ontem (18) chegou ao site Livre Concorrência a informação de que o Cade determinou acesso restrito ao procedimento da delação que se inicia, o qual deverá atingir outros órgãos de Estado, segundo revelou a mesma fonte.